terça-feira, 1 setembro, 2026
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Meteorologista contesta alarme com ‘Super El Niño’ e pede cautela

CUIABÁ – Os produtores rurais de Mato Grosso devem acompanhar a evolução do El Niño, mas evitar decisões precipitadas, diante das projeções de que o fenômeno possa atingir intensidade excepcional nos próximos meses.

Meteorologista Luiz Carlos Molion durante palestra em Cuiabá sobre as perspectivas climáticas para a safra 2026 27 – Imagem Diário de Cuiabá.

A recomendação é do meteorologista Luiz Carlos Molion, que contesta o que considera alarmismo em torno de um possível “Super El Niño”.

Ele defendeu maior peso para a observação das condições atmosféricas, antes de definir estratégias para a safra.

A avaliação foi apresentada durante participação no Apro360, podcast da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), dedicado às perspectivas climáticas e ao planejamento da produção.

Molion sustenta que as projeções mais extremas divulgadas atualmente dependem de modelos de previsão, e que ainda não permitem determinar como será o comportamento das chuvas em Mato Grosso.

“As informações que estamos vendo são representadas por um modelo de previsão, e não necessariamente por um padrão climático estruturado”, afirma.

A posição do meteorologista, entretanto, é mais cautelosa que a avaliação divulgada pelos principais organismos internacionais de monitoramento climático.

LEIA MAIS – Molion pede cautela sobre “Super El Niño” e orienta produtores a monitorar clima

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) informou, em sua atualização de 31 de julho, que um El Niño forte está em desenvolvimento e deve continuar se intensificando.

O fenômeno deverá influenciar os padrões globais de temperatura e precipitação, nos próximos meses.

Projeções associadas à Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) apontam ainda elevada possibilidade de o fenômeno atingir intensidade excepcional, no fim de 2026.

Uma atualização de agosto indicou 69% de probabilidade de um evento de intensidade histórica, considerando o índice utilizado pela agência.

Isso não significa, entretanto, que os efeitos possam ser traduzidos automaticamente em quantidade de chuva ou perdas agrícolas em cada região de Mato Grosso.

É justamente nesse ponto que Molion concentra sua advertência.

MAR E ATMOSFERA

O meteorologista argumenta que o aquecimento das águas superficiais do Pacífico não deve ser analisado isoladamente para determinar o comportamento das chuvas no continente.

Para que o fenômeno produza seus efeitos característicos, explica, é necessária interação entre oceano e atmosfera — o chamado acoplamento oceano-atmosfera.

“A água quente do mar não muda a dinâmica da chuva, a não ser que ela tenha uma interação direta e contínua com a atmosfera”, afirma.

Segundo Molion, a circulação atmosférica precisa responder às alterações verificadas no oceano para que ocorram mudanças mais consistentes no transporte de umidade e na formação das chuvas.

A interação entre oceano e atmosfera é, de fato, elemento central do El Niño-Oscilação Sul (Enos).

A divergência está na interpretação do estágio atual e na intensidade que o fenômeno poderá alcançar.

A OMM avalia que o El Niño já apresenta intensidade forte e deverá continuar influenciando o clima global.

A organização também ressalta que os efeitos variam regionalmente e que previsões sazonais devem ser utilizadas para planejamento e preparação, e não interpretadas como previsão exata do tempo em determinado município ou propriedade.

SETEMBRO NO RADAR

Para Molion, as próximas semanas serão importantes para avaliar a resposta da atmosfera e, principalmente, o comportamento do início da estação chuvosa no Centro-Oeste.

Ele considera a segunda metade de setembro um período relevante para observar a evolução das condições atmosféricas no Hemisfério Sul.

Por isso, recomenda cautela com prognósticos muito específicos feitos com semanas ou meses de antecedência.

“Não se pode cravar nada hoje”, afirma.

Na avaliação do meteorologista, mesmo que a interação entre oceano e atmosfera se fortaleça, ainda será necessário observar como ela se traduzirá regionalmente antes de projetar consequências para as lavouras de Mato Grosso.

Essa incerteza é particularmente importante para o Estado porque setembro marca o início do período em que os produtores passam a acompanhar, diariamente, a regularização das chuvas para definir a semeadura da soja.

Uma chuva isolada não é suficiente. O produtor precisa avaliar a quantidade de água disponível no solo e a perspectiva de continuidade das precipitações antes de colocar máquinas no campo.

Leia a matéria completa clicando neste link.

Por Diário de Cuiabá.

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