terça-feira, 21 julho, 2026
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Agro vê escassez de mão de obra e investe em benefícios para atrair trabalhadores

CUIABÁ – A escassez de mão de obra no campo ganhou contornos mais nítidos com dados inéditos do setor. Um estudo realizado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) revela que 62,62% dos produtores estaduais enfrentam grande dificuldade para recrutar novos profissionais. O gargalo expõe um desafio estrutural que afeta, simultaneamente, a agricultura e a pecuária de Mato Grosso.

Colheita de soja em Canarana. Agro é o que mais gera emprego em Canarana; Foto – OP.

A falta de qualificação técnica é um obstáculo para 69,16% dos produtores, mas a ausência de mão de obra afeta diferentes níveis da atividade agrícola. O ranking dos cargos mais difíceis de preencher revela as maiores carências do setor:

  • Operadores de máquinas agrícolas: 63,77%
  • Trabalhadores para serviços gerais: 38,65%
  • Técnicos agrícolas ou agrônomos: 14,25%
  • Monitores de pragas: 10,87%
  • Gerentes ou encarregados: 10,39%

Segundo o superintendente do Imea, Cleiton Gauer, a escassez de trabalhadores está ligada a um processo histórico de migração do campo para a cidade. Além disso, há barreiras culturais herdadas do passado, quando a atividade agropecuária era associada exclusivamente ao trabalho braçal e sem tecnologia.

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“Os pais passaram para os filhos: ‘Não quero que você trabalhe como eu; o seu objetivo é estudar, ser um médico ou advogado’. E hoje é um desafio fazer com que essas pessoas consigam enxergar uma oportunidade, uma carreira no setor”, pontuou Gauer.

Diante da concorrência, as propriedades rurais reestruturaram suas ofertas com pacotes de benefícios atraentes. Com salários variáveis atrelados à produtividade e participação nos lucros, o levantamento mostra que 85,19% das fazendas oferecem alimentação e 84,95% garantem habitação própria. O pacote de incentivos é complementado por transporte, treinamentos, vale-alimentação, plano de saúde e acesso à internet.

O modelo permite abrigar e sustentar famílias inteiras no campo, gerando oportunidades de emprego administrativo ou operacional também para os parceiros dos funcionários.

Para atrair novos talentos, o setor aposta na tecnologia para modernizar a imagem do campo. A operação de máquinas agrícolas hoje conta com tecnologia embarcada superior à de muitos veículos de luxo. Uma colheitadeira de algodão, que, segundo Gauer, pode custar mais de R$ 7 milhões em Mato Grosso, não é apenas um trator, mas um centro tecnológico móvel que exige operadores especializados para gerenciar toda a sua complexidade.

Essa sofisticação tecnológica se reflete nos bolsos. De acordo com o superintendente, os salários para operadores de máquinas no estado começam em cerca de R$ 3 mil para cargos de entrada, mas podem superar os R$ 15 mil mensais no caso de profissionais encarregados das frotas mais complexas e modernas.

Embora o cenário seja desafiador, Gauer descarta um colapso geral de mão de obra qualificada em Mato Grosso, apostando na formação técnica e universitária a médio prazo. O perigo real de apagão, segundo ele, está na base: as funções puramente braçais e as atividades tradicionais da pecuária, que vêm perdendo espaço ou se transformando com a mecanização.

“Se eu falo do nível mais qualificado, é uma transição. Mas para a mão de obra braçal, sim, talvez a gente passe por um movimento de apagão, e acho que um bom exemplo é o vaqueiro. É uma função que tem deixado de existir e sido transicionada ao longo do tempo”, concluiu Gauer.

O levantamento ouviu 417 produtores rurais em 87 municípios de Mato Grosso. A pesquisa tem nível de confiança de 95% e margem de erro de 5%.

Por RDNews. com informações da Famato.

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