CANARANA – O cenário de investimentos no agronegócio brasileiro ganha um novo capítulo com a movimentação estratégica de um dos maiores portfólios de terras do país. O Terrax, fundo imobiliário voltado ao setor agrícola sob a gestão da paulista Riza Asset, formalizou ao mercado financeiro a venda de uma importante extensão de terras em Mato Grosso. A operação envolve a Fazenda São Francisco I, localizada no município de Canarana, e foi fechada pelo montante inicial de R$ 200 milhões.
A transação reflete uma postura agressiva da gestora em momentos de transição do mercado. De acordo com a liderança da Riza, o desinvestimento não busca apenas realizar o lucro acumulado, mas foca primordialmente na geração de caixa rápido (liquidez). A meta é reter capital disponível para aproveitar gargalos e oportunidades mais atraentes que estão surgindo no setor produtivo.
Engenharia financeira e o desenho do negócio
A negociação da propriedade em Canarana, que soma pouco mais de 5,3 mil hectares totais (sendo aproximadamente 4 mil hectares de área produtiva com forte aptidão para grãos), foi estruturada de forma mista para garantir flexibilidade financeira:
- Aporte inicial: Um recebimento à vista no valor de R$ 42 milhões.
- Permuta de ativos: A incorporação de uma fazenda de quase 595 hectares em Getulina, no interior de São Paulo, avaliada em R$ 40 milhões. A área paulista já conta com cultivo de cana-de-açúcar e é vista pela gestora como um ativo de altíssima liquidez e fácil comercialização futura.
- Parcelamento do saldo: O restante da dívida, equivalente a R$ 118 milhões, será quitado pelos compradores em quatro parcelas anuais, atreladas a uma taxa de correção de 10% ao ano.
Diante do fluxo de correções das parcelas futuras, a estimativa interna da Riza Asset é de que o valor final nominal captado com o negócio possa saltar para a casa dos R$ 230 milhões.
LEIA MAIS – MT concentra 32% da safra de grãos e domina produção de gergelim
Ciclo de valorização e divisão de glebas
A venda da Fazenda São Francisco I encerra um ciclo curto e planejado de pouco mais de dois anos. O imóvel original havia sido adquirido pelo fundo em agosto de 2024, integrando uma área bem maior, de quase 13 mil hectares, pela qual o fundo desembolsou R$ 297 milhões na época.
Para extrair o valor máximo do investimento, a Riza fatiou o imóvel original utilizando duas abordagens comerciais distintas:
- Foco em Pecuária (São Francisco II): Uma porção de 7,6 mil hectares foi alienada no primeiro semestre deste ano para os grupos Úbere Agropecuária e Agro Gerações por R$ 115 milhões, sob o formato de buy to lease (onde o fundo vende, mas mantém contratos de arrendamento e direitos de recompra).
- Foco em Agricultura (São Francisco I): A área atual em Canarana, negociada de forma pura com um investidor do estado de São Paulo. O preço de venda estipulado ficou na média de 503 sacas de soja por hectare, um indicador considerado competitivo para a atual realidade da região mato-grossense.
Impacto para os cotistas e expansão do portfólio
O impacto econômico consolidado das duas transações trará um retorno direto para os investidores do fundo. A expectativa da administradora é de um ganho de capital distribuído de R$ 5,78 por cota do Terrax, diluído ao longo do cronograma de recebimento das parcelas, o que representa um incremento estimado de R$ 1,00 por cota a cada ano.
Atualmente, o Terrax figura na vanguarda dos veículos financeiros de propriedades agrícolas no Brasil, administrando um patrimônio líquido que encosta na marca de R$ 1,8 bilhão. A Riza Asset, que gerencia cerca de R$ 26 bilhões no total — sendo R$ 5,5 bilhões focados estritamente nas cadeias do agro —, já prepara o terreno para novas captações e estruturação de novos fundos em parceria com grandes instituições bancárias, consolidando sua tese de reciclagem contínua de ativos no campo.
Da Redação.
