BARRA DO GARÇAS – Queijo minas trufado com doce de cajá-manga, iogurte com geleia de mangaba e bebida láctea sabor seriguela. Esses são alguns dos produtos desenvolvidos por pesquisadoras da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Campus Araguaia, que estão apostando na união entre ciência, inovação e valorização da biodiversidade regional para criar uma nova geração de alimentos funcionais.

A iniciativa integra o projeto “Desenvolvimento de produtos lácteos com leite A2A2 funcionais com uso de frutos do Cerrado”, conduzido pelas professoras Karina Chaves, do curso de Farmácia, e Neila Mello e Keily Alves, do curso de Engenharia de Alimentos.
O trabalho busca explorar o potencial do leite A2A2, conhecido por ser mais facilmente digerido por parte dos consumidores, associado a frutos típicos do Cerrado, ricos em fibras, vitaminas e compostos bioativos capazes de agregar valor nutricional aos alimentos.
Durante a apresentação dos resultados, as pesquisadoras demonstraram o processo de fabricação do queijo minas trufado com doce de cajá-manga, um dos produtos mais inovadores desenvolvidos pelo grupo. O preparo envolve etapas como coagulação do leite, corte da massa, moldagem do queijo e a incorporação do recheio elaborado com a fruta nativa.
O que é o leite A2A2?
Ainda pouco conhecido no mercado brasileiro, o leite A2A2 vem despertando interesse por apresentar uma proteína diferente daquela encontrada na maior parte dos leites comercializados.
A principal diferença está na beta-caseína. Enquanto o leite convencional pode conter as variantes A1 e A2, o leite A2A2 é produzido exclusivamente por vacas geneticamente selecionadas para fornecer apenas a proteína A2. Estudos indicam que essa característica pode reduzir desconfortos digestivos em pessoas sensíveis ao consumo de leite convencional.
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Para receber a certificação A2A2, os animais passam por testes genéticos específicos que garantem a autenticidade da produção.
Cerrado como fonte de inovação
Além dos benefícios do leite, o projeto também aposta na riqueza nutricional dos frutos do Cerrado. Segundo as pesquisadoras, espécies como mangaba, cajá-manga e seriguela apresentam elevado potencial funcional devido à presença de fibras, antioxidantes e compostos fenólicos.
O uso dessas matérias-primas também contribui para a valorização da biodiversidade regional e pode gerar oportunidades econômicas para produtores locais, fortalecendo cadeias produtivas ligadas ao bioma.
Aprovação dos consumidores
Os produtos desenvolvidos passaram por rigorosas análises físico-químicas, microbiológicas e tecnológicas. De acordo com a professora Keily Alves, todos os derivados atenderam aos padrões exigidos pela legislação brasileira.
“Todos atenderam à legislação em termos de teor de gordura, proteína, padrão de acidez e requisitos microbiológicos”, destacou.
Entre os alimentos avaliados, um dos destaques foi o iogurte elaborado com leite A2A2 e mangaba. O produto foi submetido a uma análise sensorial envolvendo 103 consumidores de diferentes perfis em Barra do Garças.
Os resultados surpreenderam positivamente. O iogurte alcançou índice geral de aceitabilidade de 91% e intenção de compra de 93,5%. Os melhores desempenhos foram registrados nos quesitos aparência (93%), sabor (91%) e textura (91%), demonstrando elevado potencial de comercialização.
Ciência com impacto regional
Além da inovação tecnológica, a pesquisa evidencia como a produção científica realizada no Campus Araguaia pode gerar soluções com potencial de aplicação prática, agregando valor à produção regional e ampliando as possibilidades de desenvolvimento econômico sustentável.
Com os resultados obtidos até o momento, a expectativa das pesquisadoras é avançar em novas etapas de estudo e aproximar os produtos do mercado consumidor, transformando conhecimento científico em oportunidades para a região e para o setor alimentício brasileiro.
Por Assessoria.
