CANARANA – Novamente Querência (MT) tornou-se o foco de um novo e grave desdobramento na disputa por uma das áreas mais valorosas do Vale do Araguaia. O litígio que envolve o domínio da Fazenda Poconé rompeu as barreiras das varas cíveis e chegou à delegacia do município. O produtor rural Marcos Rader protocolou uma representação criminal na Polícia Civil exigindo a investigação dos herdeiros da família Diniz por estelionato. A acusação, revelada a partir de documentos obtidos pelo jornal Estadão de Mato Grosso, escancara um esquema de alienação fraudulenta: a venda de propriedades milionárias que já possuíam dono estabelecido.
No inquérito estão as matrículas 2.453 e 2.454, que juntas formam um latifúndio de 7,2 mil hectares de terras de altíssima produtividade na divisa de Querência com Ribeirão Cascalheira. Desse montante, Rader comprovou às autoridades locais que detém os direitos sobre 3.254 hectares. As provas do produtor, conforme noticiado, não se sustenta em acordos verbais, mas em duas aquisições formalmente documentadas. A maior parcela, equivalente a 1.808 hectares, é fruto da compra direta dos direitos de meação da viúva de Silvio Carvalho Diniz. A outra fatia, de 1.446 hectares, originou-se do pagamento de uma antiga dívida trabalhista do espólio, cujo crédito já foi expressamente reconhecido, com trânsito em julgado, pela 2ª Vara de São Joaquim da Barra, no interior paulista, em dezembro de 2025.
A engrenagem do suposto crime começou a girar quando, cientes de que quase metade da fazenda já havia sido fatiada e cedida, os herdeiros de Silvio Diniz foram ao mercado imobiliário. A denúncia detalha que, entre abril e junho de 2024, o grupo familiar fechou negócio com o empresário Edson Ghelere. Em uma transação avaliada em R$ 6 milhões, os herdeiros comercializaram “100% de seus quinhões” sucessórios. Ao omitirem as cessões anteriores pertencentes a Marcos Rader, a família teria ludibriado os novos compradores e configurado o crime de alienação fraudulenta de coisa própria (vendendo intencionalmente o que não lhes pertencia mais) conforme a denúncia.
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A negociação não parou no primeiro comprador, transformando os direitos sobre a Fazenda Poconé em uma espécie de moeda de troca altamente especulativa. As investigações indicam que, um ano depois, em abril de 2025, novas escrituras públicas foram lavradas repassando parte desses mesmos direitos hereditários à J.G.R. Imobiliária Ltda., companhia gerida pelo ex-deputado estadual José Geraldo Riva. Os bastidores de como essas terras foram oferecidas ao mercado e fatiadas entre investidores começaram a vir à tona graças a um processo paralelo que corre na 1ª Vara Cível de Água Boa, onde corretores cobram honorários milionários exatamente por terem intermediado a aproximação entre a família Diniz, Ghelere e a imobiliária.
Ao levar o caso à Polícia Civil de Querência, Rader exige a quebra imediata desse ciclo de especulação. O produtor requereu a instauração de um inquérito investigativo aprofundado, cobrando a realização de perícias criminais em todos os contratos, escrituras e o rastreamento minucioso dos comprovantes de pagamento. O objetivo do pedido de Rader é provar que a família operou com dolo, ciente de que vendia papéis sem respaldo territorial, inflando artificialmente um conflito que prejudica quem de fato produz na terra.
A ofensiva criminal deflagrada na delegacia de Querência joga luz sobre todo o imbróglio que cerca a Fazenda Poconé. A mesma área de R$ 200 milhões já é alvo de escrutínio do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) devido a decisões liminares suspeitas, e figura de forma central nos autos da Operação Sisamnes da Polícia Federal, que apura um suposto balcão de vendas de sentenças orquestrado pelo falecido advogado Roberto Zampieri. Agora, cabe à Polícia Civil desatar o nó criminal primário e mapear o caminho do dinheiro supostamente ilícito dentro do próprio município.
Via Notícias Interativa.
