QUERÊNCIA – A reportagem do Noticias Interativa, obteve acesso exclusivo, na sexta-feira, 24 de julho de 2026, ao documento emitido pela Gerência de Criminalística da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) de Mato Grosso, que atesta materialmente a ocorrência de fraudes documentais em financiamentos imobiliários em Querência (MT). A análise técnica revela que relatórios de vistoria de engenharia, exigidos para a liberação de recursos bancários, sofreram adulteração.
O esquema operava por meio da simulação de avanço físico em canteiros de obras. Para destravar os repasses, o investigado G.P.J. enviava à Caixa Econômica Federal a Planilha de Levantamento de Serviços (PLS), um documento padrão de medição. O exame grafotécnico recaiu sobre uma dessas planilhas e concluiu, com alto grau de convicção técnica, que pelo menos uma assinatura atribuída a um dos clientes da incorporadora foi fraudada.
A Politec identificou alterações significativas no ataque, remate e gênese gráfica das letras, comprovando a inautenticidade da rubrica. O laudo foi além e estabeleceu a “unicidade de punho” no documento. Isso significa, segundo a perícia, que a mesma pessoa que forjou a assinatura do contratante também preencheu e assinou o campo destinado à engenheira, responsável técnica pela execução da obra.
O modus operandi apontado na investigação incluía a promessa de celeridade na aprovação dos projetos, sob o pretexto de o construtor possuir facilidades e contatos na agência bancária. Atuando como correspondente autorizado da Caixa, a empresa assumia o controle do fluxo administrativo. Os autos apontam que, para garantir a tramitação sem a interferência dos reais titulares, contas do portal Gov.br das vítimas eram acessadas sem autorização, manipulando diretamente as assinaturas eletrônicas e os andamentos do financiamento.
O prejuízo financeiro às vítimas é volumoso e sistemático. Em um dos contratos detalhados na investigação, firmado em junho de 2024, o cliente pagou R$ 20 mil de entrada e sofreu sucessivos descontos liberados diretamente na conta do investigado. Até setembro de 2025, os repasses superaram R$ 165 mil, sem que a residência fosse finalizada. O canteiro de obras possuía placas com dados técnicos instaladas apenas para simular atividade, visto que a prefeitura não expediu alvará de construção para as unidades afetadas e não havia Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) validada.
A relação arrolada no documento da Politec e no inquérito inclui nove vítimas. O rastro de inadimplência afeta diretamente a cadeia do comércio local. Relatos indicam que os clientes eram instruídos a realizarem as compras de materiais de construção em seus próprios nomes, com a garantia de que a construtora faria a quitação dos boletos. A prática resultou em dezenas de fornecedores sem receber e obras paralisadas por falta de insumos.
Com a conclusão do inquérito pela Polícia Judiciária Civil, relatado e alicerçado pela prova material incontestável do laudo da Politec, o caso ultrapassou a fase investigativa. Diante do lapso temporal decorrido até este mês de julho de 2026, o conjunto probatório encontra-se na esfera do Ministério Público e do Judiciário. Caberá à Justiça a aceitação da denúncia formal para que o investigado e eventuais coautores deixem a condição de suspeitos e se tornem réus em ação penal. A partir deste marco processual, as fraudes que lesaram moradores passarão a ser julgadas sob o rito do contraditório e da ampla defesa.
Por Notícias Interativa.
