ÁGUA BOA – A construção da Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico), que vai ligar Mara Rosa (GO) a Água Boa (MT), enfrenta um impasse que pode atrasar a obra.
Um relatório da Controladoria-Geral da União (CGU) aponta que cerca de 20% do projeto está parado por questões envolvendo comunidades indígenas.

Trecho de 72 km ainda não saiu do papel
O principal problema está em um trecho de aproximadamente 72 quilômetros, que ainda não teve início. A obra depende da autorização da Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas).
Para avançar, é necessário aprovar o chamado Plano Básico Ambiental do Componente Indígena (PBA-CI), documento que avalia impactos da ferrovia nas comunidades e define medidas de compensação.
Até o momento, não há prazo para essa liberação.
Cronograma já está comprometido
A previsão inicial era iniciar esse trecho em 2025, o que não aconteceu. Agora, a meta do governo é concluir as obras próximas às áreas indígenas até abril de 2028 — prazo que já é considerado difícil de cumprir.
Obra segue, mas parcialmente
Apesar do impasse, mais da metade da ferrovia já está em execução e dentro do cronograma.
A construção é feita pela mineradora Vale, como contrapartida pela renovação da concessão da Estrada de Ferro Vitória-Minas. Já o licenciamento ambiental é responsabilidade da Infra S.A., ligada ao Ministério dos Transportes.
O plano indígena foi entregue à Funai em 2022 e analisado em 2023, mas as consultas às comunidades ainda não foram concluídas.
Sem aprovação, obra não avança
Enquanto o plano não for aprovado pela Funai e pelas comunidades indígenas, o trecho seguirá parado.
Mesmo sem cortar diretamente terras indígenas, a ferrovia passa por áreas próximas, o que exige estudos e medidas específicas no licenciamento.
Ferrovia é estratégica para o agro
A Fico é considerada uma obra estratégica para o país, especialmente para Mato Grosso.
A ferrovia vai facilitar o escoamento da produção agrícola do Centro-Oeste, conectando a região à Ferrovia Norte-Sul e reduzindo a dependência do transporte rodoviário.
Além disso, o projeto faz parte do corredor ferroviário Fico-Fiol, que deve ligar o Mato Grosso à Bahia, formando um eixo logístico de mais de 1.600 quilômetros.
Da Redação.
