sexta-feira, 26 junho, 2026
InícioNotíciasAgronegócioMaior produtor de algodão mira agora liderança na indústria têxtil

Maior produtor de algodão mira agora liderança na indústria têxtil

CUIABÁ – Mato Grosso produz 71% do algodão brasileiro, lidera com folga a cotonicultura nacional e colhe safras recordes ano após ano. Apesar dessa posição privilegiada, apenas uma pequena parcela dessa produção é transformada em fios, tecidos e confecções dentro do próprio Estado. A maior parte segue para outras regiões do país ou para o mercado internacional sem agregar valor à economia local.

Empaer realiza experimentos com algodão colorido orgânico em Canarana; Arquivo – Empaer.

Para mudar esse cenário, o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) lançou, no início deste mês, um programa de incentivo à verticalização da cadeia têxtil, considerado por lideranças do setor um dos projetos econômicos mais ambiciosos das últimas décadas para Mato Grosso.

A iniciativa cria mecanismos para que produtores de algodão possam transferir créditos acumulados de ICMS às indústrias instaladas no Estado, reduzindo custos de produção e aumentando a competitividade do setor têxtil mato-grossense. A expectativa é atrair novos investimentos, ampliar o parque industrial e transformar parte da produção agrícola em produtos de maior valor agregado.

Na prática, o programa pretende romper uma contradição histórica: Mato Grosso é uma potência agrícola, mas ainda participa de forma tímida das etapas industriais da cadeia do algodão.

LEIA MAIS – MT é atacante na pecuária e responde por 13% da carne dos brasileiros

Atualmente, apenas cerca de 3% da produção estadual é industrializada na origem. O restante segue para outros estados, que concentram a produção de fios, malhas, tecidos e confecções.

Agregar valor à produção

O novo modelo prevê incentivos tributários que poderão incluir diferimento, suspensão ou créditos presumidos em determinadas etapas da cadeia produtiva. A regulamentação definitiva ocorrerá paralelamente à implantação da reforma tributária nacional.

A proposta se soma a outros instrumentos já existentes, como os incentivos do Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Mato Grosso (Prodeic) e a isenção do Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab) para o algodão destinado à indústria de fiação instalada no Estado.

Durante o lançamento, Pivetta destacou que a política de incentivos pode estimular a formação de polos industriais próximos às regiões produtoras de algodão, gerando empregos e renda em municípios do interior.

A avaliação do governo é que Mato Grosso reúne condições estratégicas para se tornar um dos principais centros têxteis da América Latina. Além da matéria-prima abundante, o Estado dispõe de energia confiável, logística em expansão e mão de obra que pode ser qualificada para atender à demanda industrial.

Campo Verde é exemplo

O principal exemplo de industrialização da cadeia do algodão em Mato Grosso está em Campo Verde, município que já concentra cinco indústrias ligadas à fiação e ao beneficiamento da fibra.

A cidade responde atualmente por cerca de 6% da produção nacional de fios de algodão e é vista como modelo para a expansão do setor em outras regiões do Estado.

A proximidade do futuro terminal ferroviário da Rumo, em Dom Aquino, com capacidade para movimentar até 10 milhões de toneladas por ano, também é apontada como fator que pode impulsionar novos investimentos industriais na região.

Desenvolvimento regional

Além de fortalecer os municípios já consolidados na produção agrícola, o programa busca estimular a instalação de indústrias em cidades com menor dinamismo econômico.

A estratégia é criar uma rede regional integrada, permitindo que municípios próximos aos grandes polos agrícolas recebam investimentos em tecelagem, malharia e confecção.

A expectativa é que a verticalização da cadeia produtiva contribua para reduzir desigualdades regionais e ampliar a geração de empregos fora das fazendas e algodoeiras.

Com uma safra que supera 6,5 milhões de toneladas de algodão em pluma e cerca de 1,5 milhão de hectares cultivados, Mato Grosso já domina a produção nacional. O objetivo agora é fazer com que parte cada vez maior dessa riqueza permaneça dentro do Estado, transformando fibra em indústria, empregos e arrecadação.

Por Eduardo Gomes – Diário de Cuiabá.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.