BRASÍLIA – O Governo Federal determinou a retirada de R$ 100 milhões que estavam garantidos no orçamento da União para as obras de pavimentação da BR-158, o principal corredor logístico do Vale do Araguaia, em Mato Grosso. A manobra, oficializada na Portaria GM/MPO nº 397 do Ministério do Planejamento e Orçamento, foi publicada no Diário Oficial da União na segunda-feira (14) e transfere os recursos da infraestrutura mato-grossense para cobrir despesas imediatas de outros setores do Poder Executivo.

O montante cancelado seria aplicado especificamente no trecho de aproximadamente 750 quilômetros que liga o município de Ribeirão Cascalheira (MT) à divisa com o estado do Pará. Para a população e o setor agropecuário, essa extensão é a verdadeira “espinha dorsal” do Norte e Médio Araguaia, conectando cidades como Vila Rica, Confresa e Porto Alegre do Norte ao resto do país. A conclusão do asfalto, especialmente no traçado que contorna a Terra Indígena Marãiwatsédé, é uma obra aguardada há décadas para extinguir os atoleiros no período das chuvas, baratear o custo do frete e garantir o escoamento rápido e seguro das safras de soja e milho de toda a região, impactando diretamente polos consolidados como Querência e Canarana.
Na prática da administração pública, o “cancelamento de dotação” não significa que a obra foi paralisada hoje ou que os contratos com as construtoras foram rasgados, mas sim que o governo esvaziou a “reserva” financeira que pagaria as frentes de trabalho nos próximos meses. A portaria governamental realocou um total de R$ 654,7 milhões em todo o Brasil. Dentro desse pacote de cortes, o eixo logístico do Araguaia sofreu perdas adicionais pesadas: foram retirados R$ 1,98 milhão da rodovia BR-242, ligação crucial entre Sorriso e Ribeirão Cascalheira e outros R$ 7,79 milhões que financiariam o avanço das obras da Ferrovia de Integração Centro-Oeste (FICO) no estado.
Com a supressão dessa garantia financeira, o cenário se converte em apreensão entre produtores rurais, caminhoneiros e lideranças regionais. Sem essa verba no caixa do Ministério dos Transportes e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), o maquinário pesado corre o risco de parar por falta de repasses futuros, justamente durante o período de seca, que representa a janela ideal e mais ágil para o avanço da terraplanagem. O setor produtivo mato-grossense aguarda agora um posicionamento oficial da União sobre como o cronograma físico da rodovia será mantido e financiado até o fim do ano sem essa fatia de cem milhões de reais.
Via Notícias Interativa.
