CANARANA – Mato Grosso está inserido em uma nova rodada bilionária de investimentos no sistema nacional de transmissão de energia elétrica, com empreendimentos que deverão ampliar a capacidade e a segurança energética em regiões diretamente ligadas à expansão do agronegócio e da atividade produtiva no Estado.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) abriu nesta quinta-feira, 10 de setembro de 2026, a Consulta Pública nº 032/2026, etapa que antecede o Leilão de Transmissão nº 01/2027, marcado para 30 de abril de 2027, na B3, em São Paulo.
O conjunto colocado em discussão envolve expectativa de aproximadamente R$ 12,9 bilhões em investimentos em 12 lotes distribuídos por 13 estados brasileiros. Ao todo, são projetados 3.245 quilômetros de novas linhas de transmissão, além de 1.386 MVA de capacidade de transformação.
A estimativa da Aneel é de que os empreendimentos possam gerar aproximadamente 29,5 mil empregos diretos e indiretos durante sua implantação.
Para Mato Grosso, um dos pontos centrais está no Lote 8, que reúne uma nova estrutura de transmissão compartilhada com Goiás e inclui corredores estratégicos para o atendimento do crescimento da demanda por energia.
Entre os empreendimentos está a construção da linha de transmissão de 230 kV entre Canarana e Cocalinho, com 180,2 quilômetros de extensão.
O lote também contempla a linha Mundo Novo 2–Cocalinho, com 112,1 quilômetros; Serra da Mesa–Mundo Novo 2, com 230,1 quilômetros; e Itapaci–Mundo Novo 2, com 167,45 quilômetros.
Somadas, as quatro linhas representam aproximadamente 690 quilômetros de novas estruturas de transmissão.
Também estão previstas instalações nas subestações Mundo Novo 2 e Cocalinho, ampliando a estrutura destinada ao recebimento e à distribuição de energia na região.
Os vencedores do Lote 8 terão prazo de 54 meses, contado a partir da assinatura dos contratos, para implantação das instalações previstas.
A expansão ocorre em um momento estratégico para Mato Grosso. O crescimento da produção agrícola, a instalação de agroindústrias, usinas de etanol de milho, estruturas de armazenagem, sistemas de irrigação e outros empreendimentos de grande consumo aumentam progressivamente a necessidade de energia elétrica no interior do Estado.
No estudo técnico que antecedeu a inclusão dos empreendimentos no planejamento da transmissão, a Empresa de Pesquisa Energética apontou que a ligação envolvendo Cocalinho e Mundo Novo 2 tem necessidade projetada para 2030, justamente para acompanhar o crescimento da demanda e aumentar a confiabilidade da rede elétrica regional.
No caso do corredor entre Cocalinho e Mundo Novo 2, os estudos também consideraram questões ambientais e produtivas para definição preliminar do traçado.
Entre os critérios estão a proximidade com rodovias e acessos, redução da interferência sobre áreas de vegetação nativa, minimização dos impactos nas travessias dos rios Araguaia e do Peixe e a busca por trajetos que evitem interferências em pivôs centrais de irrigação e pistas de pouso.
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Esse componente é particularmente relevante em uma região onde a expansão agrícola e os sistemas de irrigação demandam cada vez mais disponibilidade energética.
A entrada de Mato Grosso no novo pacote nacional de transmissão não significa, entretanto, que os R$ 12,9 bilhões anunciados serão aplicados integralmente no Estado.
Esse é o valor global estimado para os 12 lotes do leilão, que abrangem Mato Grosso e outros 12 estados.
O montante específico destinado ao Lote 8 e, principalmente, a parcela que efetivamente será investida dentro do território mato-grossense ainda deverá ser detalhada ao longo da consolidação do edital.
A Consulta Pública nº 032/2026 ficará aberta para contribuições entre 10 de setembro e 26 de outubro de 2026.
Encerrada essa etapa, as sugestões serão analisadas e a minuta passará por nova deliberação da Diretoria da Aneel. Caso seja aprovada, a previsão é de encaminhamento do edital ao Tribunal de Contas da União em dezembro de 2026.
O leilão está programado para 30 de abril de 2027.
A expansão da transmissão ganha peso econômico para Mato Grosso porque a disponibilidade de energia deixou de ser apenas uma questão de infraestrutura básica. Em regiões de forte crescimento, ela passou a interferir diretamente na capacidade de atrair novos investimentos industriais e agroindustriais.
Com novas usinas de biocombustíveis, armazéns, frigoríficos, unidades de processamento de grãos e projetos irrigados avançando pelo interior, gargalos na rede elétrica podem limitar investimentos privados mesmo em regiões com grande disponibilidade de matéria-prima.
Por isso, a construção do corredor envolvendo Canarana e Cocalinho pode representar mais do que uma nova linha no mapa elétrico de Mato Grosso.
A estrutura integra uma expansão planejada para sustentar o aumento do consumo e reforçar a confiabilidade energética de uma região que vem ganhando importância no avanço da fronteira produtiva do Estado.
Agora, o ponto central será saber quanto do investimento bilionário ficará efetivamente em Mato Grosso, quais municípios serão atravessados pelas novas linhas e quanto a ampliação da oferta de energia poderá destravar em novos investimentos privados no Estado.
Por JBNews.