CUIABÁ – A Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt) defendeu a política de incentivos fiscais do Estado após o candidato ao Governo, senador Wellington Fagundes (PL), criticar, nesta terça-feira (15), o modelo durante entrevista à TV Centro América.
“Nesse governo, ao todo foram R$ 55 bilhões de isenção, que está indo só para os grandes [empresários]. Vamos exigir que esses grandes contribuam melhor com nosso estado, porque precisamos industrializar”, criticou o candidato.

Em posicionamento, a entidade afirmou que os incentivos são fundamentais para o desenvolvimento econômico e industrial de Mato Grosso e defendeu que a discussão sobre o tema seja feita “com responsabilidade e baseada em dados”.
Segundo a Fiemt, os benefícios concedidos às empresas não devem ser considerados privilégios, mas instrumentos para compensar dificuldades estruturais enfrentadas por quem produz no Estado.
A entidade citou o estudo Custo Mato Grosso, segundo o qual produzir no Estado representa um custo adicional de R$ 38,5 bilhões em comparação com as regiões Sul e Sudeste.
Entre os fatores apontados estão gargalos nas infraestruturas rodoviária, ferroviária e energética, distância dos grandes centros consumidores, escassez de profissionais e problemas na qualificação da mão de obra.
“Os incentivos à produção industrial não representam um privilégio, mas uma política pública de desenvolvimento socioeconômico construída para enfrentar desafios estruturais de Mato Grosso”, afirmou a entidade.
Empregos e arrecadação
A Fiemt também apresentou números para sustentar a defesa da política. Segundo a federação, Mato Grosso possui atualmente 16.891 indústrias, responsáveis por 203.514 empregos formais e uma massa salarial de R$ 6,6 bilhões.
Nos últimos dez anos, entre 2016 e 2025, o PIB industrial do Estado cresceu 133%, chegando a R$ 36,84 bilhões no ano passado. O setor representa 15% do PIB mato-grossense.
A indústria também responde, segundo a entidade, por aproximadamente metade de toda a arrecadação de ICMS de Mato Grosso. Em 2025, foram R$ 12,75 bilhões, o que coloca o setor como o maior contribuinte estadual.
A Fiemt destacou ainda os números do Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Mato Grosso (Prodeic). Atualmente, 1.242 empresas são beneficiadas e respondem por cerca de 82 mil empregos diretos — aproximadamente 40% dos postos de trabalho da indústria estadual.
Renúncia de R$ 6,4 bilhões
Em 2025, a renúncia fiscal envolvendo Prodeic, Programa de Desenvolvimento Rural de Mato Grosso (Proder-MT) e Programa de Incentivo à Cultura do Algodão de Mato Grosso (Proalmat) chegou a R$ 6,4 bilhões, conforme dados da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec).
A federação argumentou, porém, que o retorno econômico supera o valor que deixa de ser arrecadado. Segundo o Relatório Anual de Desempenho dos Incentivos Fiscais da Sedec, para cada R$ 1 de renúncia fiscal em 2025 foram gerados R$ 4,66 em investimentos diretos no Estado.
Para a Fiemt, retirar ou reduzir esses mecanismos pode afetar a capacidade de Mato Grosso de disputar novos empreendimentos com outras unidades da Federação.
“Sem essa condição competitiva, a maioria dos investimentos em Mato Grosso poderia não ocorrer, o que significaria menos indústrias, menos empregos, menor geração de renda, menor arrecadação de ICMS e, consequentemente, menos capacidade de investimento em educação, estradas, saúde e segurança pública”, afirmou.
A entidade acrescentou que programas semelhantes são utilizados em outros estados como instrumentos de atração de investimentos e desenvolvimento regional.
Ao final, a Fiemt afirmou que qualquer discussão sobre mudanças na política de incentivos deve considerar os efeitos sobre investimentos, empregos, arrecadação e competitividade da economia mato-grossense.
“Discutir o futuro dos incentivos fiscais exige responsabilidade com os fatos e a preservação de instrumentos que estimulem investimentos, agreguem valor à produção, fortaleçam a indústria e ampliem as oportunidades para a população”, concluiu a federação.
Por MidiaNews.
