segunda-feira, 8 março, 2021
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CANARANA: Com o fígado do papai, a história da valente Maria Valentina

CANARANA – Somos bombardeados todos os dias por notícias ruins. O tempo de pandemia e as notícias ruins que ela traz, podem levar uma pessoa ao desespero e ao sentimento de que não haverá o dia de amanhã. Mas, replicando a frase do site ‘Razões Para Acreditar’, “o mundo não está pior, só você que não fica sabendo das notícias boas”.

OPioneiro traz hoje uma notícia boa! Uma entrevista com a professora Lucélia Beraldo Rodrigues, de 38 anos. Ela é casada com o consultor de vendas Paulo Cezar Bonifácio de Castro (37). Eles moram há 11 anos em Canarana-MT e são pais de Laura Beatriz (19), Anna Cecília (12) e Maria Valentina (2 anos e 11 meses).

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Maria Valentina, apesar da pouca idade, foi diagnosticada ainda na gestação, com uma má formação genética. Depois de muita fé e de muita luta, a pequena passou por um transplante de fígado e hoje leva uma vida normal. Uma história de superação que você confere nessa entrevista:

OP – Quando vocês descobriram que a Maria Valentina precisaria de um transplante de fígado?

LUCÉLIA – Quando escolhemos seu nome não sabíamos o quão valente ela teria que ser. A história da nossa valente Maria Valentina teve início ainda na gestação. Aos 5 meses de gravidez, ao realizar a ultrassom morfológica, descobrimos que ela tinha uma cardiopatia.

Como os médicos ainda não sabiam exatamente qual cardiopatia ela tinha e nem a gravidade da mesma, orientaram-me a fazer o parto em um grande centro, pois ela poderia precisar de UTI e até mesmo de cirurgia ao nascer.

Com 36 semanas fomos para Goiânia – GO, mas devido à perda excessiva de líquido, o parto foi feito no início da semana 37. Graças a Deus não precisou de cirurgia, mas ela ficou 6 dias na UTI. Recebemos alta e voltamos para casa.

Com 40 dias, no retorno à cardiologista em Goiânia, ela percebeu um tom amarelado na pele da bebê, pensávamos que fosse apenas icterícia, a “tiriça” que quase todos os bebês têm. Ela então nos explicou que isso só é normal até o 15° dia de vida do bebê.

Começamos então as consultas com a gastroenterologista. Fizemos inúmeros exames. Mas nada de diagnóstico. Quando completou 2 meses, conseguimos uma vaga no Hospital Materno Infantil. Foram 25 dias de investigação. Mas até mesmo a biópsia veio inconclusiva.

Fomos então encaminhados para São Paulo. Com 5 meses começaram novos exames, até que finalmente chegaram a uma conclusão. Maria Valentina foi diagnosticada com Síndrome de Alagille, uma má formação genética, que entre tantas outras manifestações, pode comprometer coração, fígado e rins.

OP – Como foi a reação da família ao receber a notícia?

LUCÉLIA – Apesar de saber da gravidade do problema, procuramos nos manter firmes, pois nossa pequena precisava de nós. Nem todas as crianças com essa síndrome precisam passar por transplante, mas no caso dela, o baixo ganho de peso e desenvolvimento, mais a cirrose hepática, fizeram com que ela precisasse.

Quando se fala em transplante, não tem mesmo como não se desesperar. O medo e as dúvidas tomaram conta de nós. Mas hoje é possível se fazer o transplante de fígado intervivos. O pai ou eu poderia ser o doador. Foi um alívio tremendo.

OP – Qual a importância em se ter fé em momentos como esse?

LUCÉLIA – A fé é imprescindível nesse momento. É ela que nos guia. Eu digo que Deus capacita as mães para elas viverem momentos inimagináveis… E olha que esse eu não imaginava mesmo.

OP – Quem foi o doador do fígado?

LUCÉLIA – Devido a todos os cuidados pós cirúrgicos, nosso pai herói prontamente se dispôs a doar. Não foi nada fácil, ele estava acima do peso e teve que perder 16 kg em um curto espaço de tempo. Mas… conseguiu!

O papai Paulo teve que emagrecer 16 kg para fazer a doação. Foto – Reprodução.

OP- E o transplante?

LUCÉLIA – Estava tudo certo! Infelizmente nossa pequena teve uma piora da parte cardíaca e precisou fazer primeiro a cirurgia cardíaca. Não foi nada fácil, pois com o fígado comprometido, seus rins sofreram bastante pressão na hora da cirurgia. Foram 25 dias de UTI.

Tudo pronto. Bebê recuperada, era só esperar pelo transplante, previsto para fevereiro de 2019. Em janeiro desse mesmo ano, ela teve que ser internada na UTI devido ao nível muito baixo de sódio. Quase teve uma parada cardíaca. Mais 23 dias lutando pela vida.

Mas, no dia 11/02/2019 aconteceu o tão esperado momento. Com um pedacinho do papai, é assim que ela fala, nossa guerreira pôde receber sua segunda vida! Mais 27 dias de UTI pós transplante. Nossa Valentina tirou de letra.

OP – Nesse tempo de espera, quais eram as dificuldades de saúde enfrentadas pela Maria Valentina?

LUCÉLIA – Mesmo com tantos problemas de saúde, ela não precisava de muitos cuidados especiais, exceto com a sonda nasogástrica que ela usou por mais de 1 ano.

OP – Onde foi feito o transplante?

LUCÉLIA – O transplante foi realizado no Hospital Sírio Libanês em São Paulo.

OP – Qual é o sentimento após ter dado tudo certo?

LUCÉLIA – Que Maria Valentina recebeu uma vida nova.

OP – Como está a Maria Valentina agora?

LUCÉLIA – O transplante trouxe tudo aquilo que ela não tinha antes, principalmente disposição e fome – rsrsrsrs. Hoje ela está super bem. Quase andando. Já fala de tudo, come de tudo. É uma criança super feliz.

Maria Valentina, apesar da pouca idade, foi diagnosticada ainda na gestação, com uma má formação genética e precisou passar por um transplante de fígado.
Maria Valentina é hoje uma criança saudável e feliz; Foto – Reprodução.

OP – Qual a mensagem que você deixa para os pais que estejam numa situação semelhante ao que vocês passaram?

LUCÉLIA – Aos pais que estão passando pelo que passamos, o que temos a dizer a vocês é que tenham fé e se mantenham unidos. É só um mal tempo. Vai passar e, quando passar, vocês terão tantas histórias pra contar… E o mais importante, perceberão o quanto Deus é maravilhoso e que nada nessa vida vale mais do que a união e o bem estar da nossa família.

Por Lavousier Machry e Rafael Govari, para OPioneiro.

2 COMENTÁRIOS

  1. Glória a Deus pela vida da Valentina e por toda dedicação e amor dos país em ver a filha recuperada esse testemunho vem encorajar paes que esteja passando por momentos como esse.

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