CANARANA – A Polícia Civil de Canarana concluiu que o incêndio registrado no dia 22 de julho, que inicialmente era tratado como um possível acidente doméstico, foi, na realidade, uma tentativa de feminicídio que resultou na morte da vítima. A informação foi confirmada pelo delegado Diogo Jobane após a conclusão das primeiras diligências e da análise realizada pela Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec).

De acordo com as investigações, a mulher, natural de Mato Grosso do Sul, estava em Canarana havia aproximadamente 15 dias. Na noite do crime, ela teria consumido bebida alcoólica e se envolvido em um episódio de violência doméstica. Durante a madrugada, foi encontrada com cerca de 80% do corpo queimado.
Ela recebeu os primeiros atendimentos médicos no município e, devido à gravidade dos ferimentos, foi transferida para Cuiabá. Apesar dos esforços da equipe médica, a vítima não resistiu e morreu no dia seguinte.
Nos primeiros momentos da investigação, a hipótese considerada era de um incêndio acidental. Informações iniciais indicavam que a mulher poderia ter adormecido com um cigarro aceso, provocando fogo em roupas de cama.
Entretanto, os laudos periciais descartaram essa possibilidade. Segundo o delegado, a Politec constatou a presença de álcool etílico utilizado para iniciar o incêndio, evidência que alterou completamente a linha de investigação.
Com base nas novas provas, a Polícia Civil aprofundou as investigações e identificou o responsável pelo crime. Conforme Diogo Jobane, o suspeito foi localizado e confessou ter provocado o incêndio.
O delegado destacou que crimes praticados no ambiente familiar costumam ser complexos de esclarecer, já que normalmente ocorrem sem testemunhas. Nesse contexto, ressaltou que o trabalho técnico da perícia foi decisivo para a confirmação da dinâmica do crime e para a responsabilização do autor.
Projeto “Empregado Seguro”
Durante a entrevista, a Polícia Civil também apresentou o projeto “Empregado Seguro”, iniciativa destinada a produtores rurais, empresários e comerciantes de Canarana.
A proposta permite que empregadores consultem a Polícia Civil antes da contratação de funcionários, verificando a existência de antecedentes criminais ou mandados de prisão em aberto. Segundo o delegado, a medida busca ampliar a segurança e reduzir riscos relacionados à contratação de pessoas envolvidas em crimes graves.
Como exemplo, Jobane relembrou um caso ocorrido em Ribeirão Cascalheira, onde um trabalhador contratado por uma fazenda assassinou o proprietário e ocultou o corpo na propriedade.
O investigador Valdivino afirmou que o intenso fluxo de trabalhadores vindos de outras regiões exige maior atenção dos empregadores. Ele também recordou uma investigação em que um casal contratado para atuar em uma fazenda foi apontado como autor de um homicídio seguido de sequestro, sendo posteriormente localizado e preso nos estados de São Paulo e Bahia.
Da Redação.
