quarta-feira, 4 março, 2026
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‘Quero voltar a ser como antes’, diz o 1° jovem de MT a receber polilaminina em estudo experimental

O jovem Kawan Vinnicyus Soares dos Santos, de 21 anos, morador de Rondonópolis, a 218 km de Cuiabá, é o primeiro paciente de Mato Grosso e o 28º no país a receber a aplicação de polilaminina, um medicamento em fase de testes que pretende auxiliar pacientes com lesões medulares. O procedimento foi realizado na manhã de quarta-feira (26), no Hospital Regional de Rondonópolis, e durou cerca de 50 minutos.

Ele passou a integrar o estudo coordenado pela pesquisadora Tatiana Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que analisa a capacidade da proteína de restabelecer a comunicação dos nervos na medula espinhal e, assim, auxiliar na recuperação de movimentos.

A polilaminina é um composto recriado em laboratório a partir da laminina, proteína produzida no corpo humano, especialmente durante o desenvolvimento embrionário, quando exerce papel fundamental na organização dos tecidos e no crescimento celular.

Kawan contou que a expectativa é recuperar micromovimentos e retomar funções básicas do organismo. Ainda assim, ele não esconde o sonho de voltar a ter uma vida normal, inclusive correr novamente.

“ Felizmente fui agraciado pela oportunidade de receber a polilaminina, medicamento 100% brasileiro […] se Deus permitir, quero voltar a correr e ser como eu era antes, recuperar a normalidade da minha vida “, afirmou.

No caso do mato-grossense, o trauma medular ocorreu após um acidente de trânsito, em novembro de 2025. Ele bateu contra um caminhão que, segundo relato, invadiu a preferencial. O impacto causou rompimento completo da medula entre as vértebras T8 e T9.

Kawan decidiu participar do estudo após conhecer o procedimento pelas redes sociais. Segundo ele, os avanços apresentados por outros pacientes foram decisivos para despertar o interesse.

“Em setembro, a polilaminina veio a público. Meu acidente aconteceu cerca de um mês e meio depois. Mais tarde, amigos e familiares já comentavam sobre essa descoberta, e a gente também acompanhava as notícias. Ainda é algo experimental, em fase de testes, mas era muito promissor, porque outros pacientes apresentaram evoluções e movimentos significativos. Foi isso que despertou meu interesse”, afirmou.

Segundo o jovem, o foco está na fisioterapia e no acompanhamento contínuo dos resultados para contribuir com o aprimoramento do tratamento.

“Agora é focar na fisioterapia de forma intensiva e contínua, e manter a equipe médica informada sobre cada avanço. Para que eles possam aprimorar ainda mais o tratamento e ajudar o maior número possível de pessoas, principalmente quem tem lesão medular crônica há mais de três meses, casos de anos, 15, 30 anos”, afirmou.

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