QUERÊNCIA – O climatologista Luiz Carlos Molion descartou a ocorrência de um “Super El Niño” e alertou os agricultores de Querência (MT), a não anteciparem o plantio da soja para o final de setembro. Durante o tradicional Café da Manhã com os Produtores Rurais, realizado no Sindicato Rural do município na manhã de quarta-feira (29), o especialista afirmou que a atual anomalia climática exigirá paciência do produtor, com a consolidação do período chuvoso prevista apenas para a segunda quinzena de novembro.

A tese defendida por Molion contraria o alarde recente do mercado agrícola. Segundo o pesquisador, o aquecimento anômalo registrado no Oceano Pacífico não configura um fenômeno El Niño, mas sim o resultado de um terremoto de baixa profundidade ocorrido a nordeste do Japão. Esse abalo sísmico liberou energia suficiente para gerar uma onda interna, espalhando águas quentes por toda a bacia oceânica. Ele ressaltou que a distribuição das chuvas no Brasil depende estritamente da resposta da pressão atmosférica a essa temperatura da água. Se a atmosfera não se acoplar a essa variável, não haverá impacto nas precipitações locais.
O evento que sediou a palestra reuniu o setor produtivo para alinhar as estratégias da próxima safra e contou com a organização de empresas do segmento agrícola e de construção. Para a região de Querência, as projeções climáticas apresentadas indicam um volume acumulado entre 1.400 e 1.500 milímetros, quantidade considerada amplamente suficiente para o cultivo de soja. No entanto, outubro deverá registrar chuvas abaixo da média, com o volume hídrico se normalizando em dezembro e alcançando índices acima da média nos meses de janeiro, fevereiro e março.
LEIA MAIS – Com seis meses, Alvorada Bioenergia leva produtos a 17 estados brasileiros
Diante do cenário delineado, a recomendação central para o agronegócio local é conter a pressa na largada do plantio. O climatologista aconselha que as atividades nas propriedades transcorram normalmente, mas aguardando o comportamento da atmosfera antes de colocar as sementes no solo. O principal ponto de atenção e planejamento recairá sobre o fim do ciclo chuvoso, que tem apresentado cortes abruptos na metade de abril, fator determinante para quem vai investir na safrinha.
Por Notícias Interativa.
