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CANARANA: Sobrevivente após ser baleado com cinco tiros em assalto, como está seu Zé?

CANARANA – Eram pouco mais das 16h00 do dia 05 de agosto de 2020. O aposentado José Neres se dirigiu para um correspondente bancário em Canarana – MT para pagar um imposto de uma fazenda da qual era escriturário. Se posiciona ao final da fila, quando dois assaltantes menores de idade entram no estabelecimento. Um deles toma o celular da mão do seu Zé e, o outro, armado, vai até o caixa.

Baleado cinco vezes, três deles na região do coração e do pulmão, Neres é hoje um milagre e contou como está ao OPioneiro. Sentado na varanda de sua casa, onde recebeu nossa reportagem, seu Zé por várias vezes não conseguiu segurar as lágrimas. Sabe que escapou por muito pouco da morte e recebeu de Deus um segundo nascimento.

Baleado cinco vezes, três deles na região do coração e do pulmão, seu Zé é hoje um milagre e contou como está à reportagem do OPioneiro.
Seu Zé, em sua casa, apresenta excelente recuperação – Foto OP

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Neres conta que foi mexer no celular para responder uma mensagem enquanto estava na fila do caixa. Um dos assaltantes, ao adentrar, tomou o celular das mãos dele. “Eu não percebi que era um assalto, mas senti algo muito ruim. Achei que pudesse ser um conhecido aplicando um brincadeira. Como não enxergo em um olho, não consegui ver quem era. Aí levei na esportiva e até brinquei que não adiantava pegar esse celular porque só tinha problemas”, conta.

Naquele momento o segundo assaltante já estava no caixa, quando o menor que havia tomado o celular respondeu para Neres com as palavras ‘tô nem aí’. “Eu acredito que isso possa ser um código, porque quando ele falou essas palavras, o outro que estava no caixa se virou e fez um disparo contra mim, que acertou debaixo do braço”, relata.

O que as imagens mostram é o assaltante que tomou o celular correndo para fora e seu Zé, atrás dele, também correndo. “Na verdade eu não reagi. Quando recebi o primeiro tiro, minha reação foi correr para fora, não perseguir ninguém”, explica.

Enquanto estava correndo, levou o segundo tiro, nas costas, quando caiu na calçada. Na sequência foi espancado, recebendo socos e chutes. Tentou se defender entrando em luta corporal contra os dois. O terceiro tiro levou na mão e o quarto tiro no peito. Por fim, foi atingido no braço.

Os dois assaltantes fugiram de bicicleta. Neres conseguiu adentrar ao estabelecimento pra cumprir sua missão e ainda tentar pagar o imposto. Ele foi levado para o Hospital Municipal de Canarana, onde recebeu os primeiros atendimentos. Na sequência foi encaminhado para o Hospital Regional de Água Boa – MT, onde ficou internado por quatro dias antes de receber alta.

Conforme os médicos, o primeiro tiro, que acertou a região da axila, atravessou o corpo e saiu no outro ombro. Passou muito perto e só não atingiu o coração porque naquele momento o órgão estava em sístole (contração). Os projéteis que acertaram as costas e o peito também não atingiram nenhum órgão, mas ainda estão alojados em seu corpo. O projétil que atingiu seu braço, era explosivo, dilacerou sete centímetros de osso e causou sérios danos ao músculo e nervo. A primeira avaliação era que ele teria que ser amputado, mas depois de vários procedimentos, inclusive em Goiânia – GO, está com seu braço quase recuperado.

Conforme seu Zé, ele acredita que não levou mais tiros porque o assaltante disparou todos os projéteis do revólver calibre 38 contra ele. Com 63 anos, conta que para os médicos é um milagre estar vivo. “Os médicos que me atenderam dizem que eles nunca tinham visto uma pessoa levar cinco tiros na região dos órgãos, sobreviver e recuperar tão rápido, ainda mais com minha idade. Todos dizem que foi um milagre e eu acredito”, disse.

Um dos assaltantes, o que efetuou os disparos, já tinha diversas passagens pela polícia. Ele acabou sendo morto um mês depois em Várzea Grande – MT em um confronto com a polícia. O outro assaltante, o que tomou o celular, está em liberdade.

Mostrando a importância da família, seu Zé, que é casado, pai de duas filhas e com dois netos, disse que quando estava no hospital pensava muito em sua netinha Laura, de apenas três anos. Já aposentado, ele agora tem planos em se mudar para Goiás, sua terra natal. Ainda necessitando de cuidados médicos, apesar de se sentir bem, acredita que será melhor por estar mais perto de Goiânia, um dos principais centros médicos do Brasil.

“Primeiramente quero agradecer a Deus por mais um livramento, agradecer meus patrões pelo suporte que tive nas horas mais difíceis da minha vida. Colegas de trabalho minha gratidão. Agradecer as igrejas pelas orações pela minha recuperação. Agradecer toda população, fazendeiros, empresários, funcionários, pelo apoio, pelas visitas. Agradecer ao prefeito e vereadores. Agradecer à polícia e demais autoridades. Deus abençoe cada um de vocês”, finaliza.

Por Rafael Govari para OPioneiro.

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