Um indígena identificado como Clóvis Junior Tsowahoire, de 44 anos, morreu após se envolver em um grave acidente de trânsito em Campinápolis, a 565 km de Cuiabá, nesta segunda-feira (8). Segundo a Polícia Civil, a morte levou à manifestação de outros indígenas, que bloquearam a pista e ameaçaram atear fogo no caminhão envolvido no acidente.
As forças de segurança foram mobilizadas após o início da manifestação — Foto: Reprodução
Conforme o boletim de ocorrências, Clóvis pilotava uma moto e bateu na lateral do caminhão enquanto fazia uma curva.
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Um vídeo registrado no local mostra as equipes policiais tentando acalmar os manifestantes e negociar com o grupo para evitar que o caminhão fosse incendiado.
Ao chegar no local, as equipes de resgate e segurança confirmaram que a situação era de forte tensão. Ainda de acordo com a polícia, o motorista do caminhão não foi encontrado no local, possivelmente por temer pela própria segurança.
O caso foi registrado como homicídio culposo quando não há intenção de matar. A dinâmica do acidente está sendo investigada pela Polícia Civil.
CANARANA – O Governo do Estado de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Infraestrutura e Logística (Sinfra), concluiu no dia 8 de setembro de 2025 a sessão de licitação para a pavimentação de 58,5 km da MT-110, no trecho que vai da cidade de Canarana, até a BR-242.
A partir de Canarana o trecho de 58 km que será pavimentado
A empresa Destesa Engenharia Construções Ltda. apresentou a menor proposta, no valor de R$ 65,34 milhões. No entanto, o processo ainda não foi finalizado: agora será feita a conferência dos documentos, análise da habilitação, julgamento de eventuais recursos e, somente depois, a homologação do resultado final.
Edital e etapas
O edital da licitação (Concorrência Pública Eletrônica nº 73/2025 – Processo SINFRA-PRO-2025/09020) foi publicado em 20 de agosto de 2025, com prazo para envio das propostas até 6 de setembro. A abertura oficial ocorreu no dia 8, em Cuiabá, por meio do sistema eletrônico da Seplag.
Secretário de SP elogia Pivetta durante fórum em Washington
Trecho estratégico
A MT-110 é considerada um eixo logístico fundamental, ligando Canarana à divisa com Querência, num total de 110 km. A licitação contemplou pouco mais da metade do trajeto (58 km), a partir de Canarana. Já a partir da divisa com Querência, outro trecho de 10 km em direção a Canarana também será pavimentado, completando mais uma etapa desse corredor.
O secretário de Fazenda e Planejamento de São Paulo, Samuel Kinoshita, elogiou o vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos) na condução de agendas voltadas à inovação e parcerias internacionais para o agronegócio de Mato Grosso.
A declaração foi feita nesta segunda-feira (8), em Washington (EUA), durante o Brazil Development Forum.
Foto: Reprodução
“Temos uma safra promissora de governantes. O vice-governador Otaviano Pivetta esteve em centros de pesquisa como a Iowa State University, promovendo trocas de conhecimento e levando para Mato Grosso o que há de mais avançado na produção de etanol de milho. Essa visão de gestor garante o crescimento sustentável do setor”, destacou o secretário.
Pivetta, que também participou do evento, ressaltou o potencial agrícola de Mato Grosso e reforçou a importância da inovação para garantir competitividade.
“Cultivamos cerca de 13 milhões de hectares e recuperamos mais 7 milhões de hectares de pastagens degradadas, sem derrubar nenhuma árvore. Produzimos duas safras anuais em oito meses de chuva, em solos reconhecidos mundialmente, com produtividade média de 10 toneladas por hectare por ano, sem irrigação. É o melhor modelo agrícola do mundo”, afirmou o vice-governador.
Dívida recorde do agro abala Banco do Brasil; entenda o caso
Durante sua agenda nos Estados Unidos, Otaviano relatou o encontro com o professor Kevin Kimle, da Iowa State University, referência mundial em pesquisa agrícola.
“Fomos muito bem recebidos e convidamos o diretor da universidade para conhecer Mato Grosso. Queremos trocar experiências e implementar melhorias na nossa Unemat, para garantir resultados positivos à população”, concluiu o vice-governador.
Também integrou a comitiva o secretário de Estado de Fazenda de Mato Grosso, Rogério Gallo.
O Brazil Development Forum reuniu empresários, acadêmicos e autoridades brasileiras e americanas em Washington para discutir iniciativas bilaterais, investimentos e inovação voltados ao Brasil.
O Banco do Brasil, principal financiador do agronegócio no país, registrou R$ 12,73 bilhões em atrasos de mais de 90 dias nos pagamentos do setor.
O desfalque puxou uma queda de 60% no lucro no segundo trimestre, segundo dados divulgados no fim do mês passado.
Foto: Reprodução
“É o maior nível de inadimplência já visto no agro na história do Banco do Brasil”, afirmou a presidente do banco, Tarciana Medeiros.
Mais da metade das dívidas (52%) são de produtores do Sul e do Centro-Oeste.
Devendo na praça, o agro vem recorrendo cada vez mais às recuperações judiciais.
Dos R$ 12,73 bilhões devidos, R$ 2,27 bilhões são fruto de recuperações.
A crise para justificar os processos é atribuída a diversos fatores: pandemia, altos juros, falta de financiamento acessível, entre outros.
Há outras questões, no entanto, que vêm escapando às análises macroeconômicas, apurou o UOL: má-fé e fraude, com pedidos de recuperações judiciais que não se enquadram na lei. Escritórios de advocacia oferecem esse tipo de serviço.
Advogados ouvidos pela reportagem alertam que é preciso separar o joio do trigo.
O assunto está no radar do CNJ (Conselho Nacional de Justiça).
No fim de maio, o ministro Mauro Campbell Marques, corregedor-nacional de Justiça, abriu uma comissão especial “para o aprimoramento da atuação do Poder Judiciário nos processos de recuperação judicial e falência de produtores rurais”.
O Banco do Brasil monitora hoje 808 clientes sob recuperação, num total de R$ 5,4 bilhões — parte do valor não entrou no balanço pois se refere a pagamentos cujo vencimento ainda não ocorreu.
‘Instrumento de barganha’
Desconto de 20% sobre as dívidas;
Carência de 2 anos para começar a pagar as dívidas;
Prazo de ao menos 10 anos para pagar todas as dívidas.
Isso é o que promete um escritório de advocacia de Goiânia que se define em seu site como “a fortaleza jurídica do produtor rural”.
Os tópicos estão em um informativo do escritório que incentiva produtores rurais a pedir recuperação judicial, dispositivo descrito como “instrumento de barganha” para “blindar todo seu patrimônio de cobranças judiciais e arrestos”.
“Não importa o que as pessoas vão pensar de você se você optar pela recuperação judicial. Se você tiver bem ou mal, vão falar mal de você da mesma forma.
A questão é que, se não for você para proteger o seu patrimônio, o seu legado, que você recebeu de herança ou lutou a vida inteira para construir, ninguém fará isso por você”.
Trecho do informativo “Na Defesa do Brasil que Produz”
Especialistas ouvidos pelo UOL dizem que isso é uma distorção da lei das recuperações judiciais e, em certos casos, pode configurar fraude.
Recuperação judicial é um instrumento jurídico que deveria ser tratado como último recurso antes de uma empresa precisar pedir falência.
O dispositivo permite congelar as cobranças de uma empresa por 180 dias (o chamado “stay period”).
O objetivo é que, nesse período, a empresa consiga organizar as contas da casa, pagar a quem deve e dar continuidade às suas atividades.
Não é, portanto, um dispositivo para blindar o patrimônio ou prolongar o pagamento de dívidas por anos.
No entanto, a alta de pedidos de recuperação judicial no agronegócio indica que propostas do tipo têm encontrado terreno fértil.
Segundo os últimos dados da Serasa Experian, divulgados no fim de julho, os pedidos dispararam no primeiro trimestre de 2025: uma alta de 45% em relação ao mesmo período de 2024.
“Muitos produtores enfrentam custos altos, prazos longos para receber, maior exigência de garantias e dificuldades na rolagem de dívidas, fatores que pressionam o caixa e reduzem as margens para manobras”, disse Marcelo Pimenta, diiretor de agronegócio da Serasa Experian.
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“INDÚSTRIA DE RECUPERAÇÕES JUDICIAIS” – O advogado especialista Marcelo Winter, de São Paulo, observa uma tendência de pedidos irregulares de recuperação no agronegócio.
Winter considera a prática “irresponsável e oportunista”, prejudicando todo o setor.
“Muitos dos pedidos atuais não refletem uma real situação de crise econômico-financeira, mas sim estratégias protelatórias e por vezes pouco fundamentadas. Essa prática indevida compromete a credibilidade do próprio instrumento da recuperação judicial. Tal cenário tem gerado insegurança e afastado investidores do setor”, disse Marcelo Winter.
A juíza Daniela Muller, presidente da Amatra 1 (Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho da 1ª Região) do Rio, diz que a situação relatada “foge totalmente do escopo da lei”.
“O empresário é o responsável pelos riscos do negócio — até porque é ele que fica com o lucro, com os benefícios. O trabalhador precisa do salário para sobrevivência. A lei de recuperações judiciais deveria servir exclusivamente para reestruturação da empresa, para continuar existindo e gerando empregos dignos. Não pode servir para dar descontos, ainda mais em questões trabalhistas. Nas distorções, o que se faz é tentar livrar empresários de suas dívidas”, disse Daniela Muller, juíza.
Há relatos de que, nas últimas edições da Agrishow, feira agrícola de Ribeirão Preto, advogados estavam abordando produtores rurais com orientações sobre recuperações judiciais, inclusive sobre como ocultar patrimônios.
Segundo a imprensa especializada no setor, o diretor de agronegócio do Santander, Carlos Aguiar, disse na Agrishow deste ano que o aumento de pedidos de recuperação judicial no setor é preocupante, por envolver produtores atraídos por promessas ilusórias de quem, segundo ele, lucra com a fragilidade alheia.
Aguiar se referiu, na ocasião, a uma “indústria” da recuperação no campo, “que enriquece advogados enquanto empobrece o produtor”.
Os advogados autores da cartilha citada no início desta reportagem tomaram para si a responsabilidade de responder.
Num reels do Instagram, gravado na época na frente de uma agência do Santander e vestindo cinto de fivela, o advogado Leandro Marmo diz: “Tendo que recorrer à medida extrema que é a recuperação judicial, é porque realmente não restou nenhuma alternativa para que pudessem tentar continuar produzindo, gerando emprego, sem ter o risco de perder seu patrimônio”.
Marmo é sócio do escritório João Domingos Advogados Associados, autor do informativo.
O UOL procurou Marmo e Domingos.
O escritório afirmou que o documento não faz promessas.
“Há, sim, um resumo dos potenciais efeitos práticos da recuperação judicial, com base em jurisprudência consolidada e na experiência real do escritório em dezenas de casos concretos”, diz.
O advogado Antonio Frange também tem, em seu site, uma página dedicada a recuperações que lista, entre os “resultados esperados”, 70% de desconto nas dívidas e prazo de até dez anos para pagamento delas.
O escritório, instalado em São Paulo e em Cuiabá, diz no site oficial que já atuou em mais de mil casos.
O UOL procurou o escritório por email e por telefone, mas não teve resposta.
CASO SAFRAS – Um dos casos mais discutidos por advogados especialistas no agronegócio é atualmente o Safras.
Prestes a perder uma fábrica em Cuiabá, o conglomerado mato-grossense pediu recuperação apontando dívidas de R$ 2 bilhões, um passivo recorde no estado.
Winter considera que o caso é emblemático: a Justiça viu irregularidades no pedido, como a falta de documentos e a inclusão indevida de produtores rurais que, na verdade, não são produtores rurais.
O processo foi suspenso.
“É um precedente importante: isso mostra para o mercado que não é qualquer pedido que deve ser aceito”, diz.
Num comunicado à imprensa referente aos dados da Serasa Experian, o Sindiveg (Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal) também destacou que o “excesso” de pedidos pode abalar a confiança do mercado.
“O setor precisa encontrar um modelo de negócios sustentável”, diz a nota.
Um nicho que está se desenvolvendo nos últimos tempos é o das “agfintechs”, diz Henrique Galvani, CEO da Arara Seed, plataforma de Ribeirão Preto especializada em startups do agro.
“O agro precisa inovar no acesso ao mercado de capitais, como alternativa e complemento ao Plano Safra. É a ponte entre o campo e a Faria Lima”, afirma.
Por JULIANA SAYURI E GRACILIANO ROCHA Do UOL – São Paulo.
BARRA DO GARÇAS – Um homem foi preso na noite dessa segunda-feira (8) suspeito de caçar animais e tentar provocar incêndio no Parque Estadual Serra Azul, em Barra do Garças, a 516 km de Cuiabá. O município vive em estado de emergência por causa dos inúmeros focos de calor que atingem a região.
Ele responde por caça ilegal em área de preservação permanente, destruição de floresta, tentativa de incêndio e disparo de arma de fogo em unidade de conservação. O veículo utilizado pelo suspeito também foi apreendido por irregularidades na documentação.
Fogo avança sem controle em Barra do Garças — Foto: Arquivo pessoal
A polícia localizou o suspeito depois de receber denúncias de moradores de chácaras no Bancrevea. Eles relataram que viram um homem armado disparando com arma de fogo e caçando animais silvestres, e possivelmente ateando fogo na mata.
No local, a polícia encontrou um veículo abandonado próximo à área de preservação e seguiu a trilha de rastros deixada por ele, que levava até uma tocaia montada em uma árvore.
Com a aproximação da polícia, o suspeito tentou fugir, mas foi capturado quando chegava a um córrego.
Ao ser questionado, ele confessou que estava caçando animais e admitiu que nos dias anteriores estava com uma arma de fogo, e chegou a filmar com o celular o manuseio das armas e o que fazia no parque.
No local, os policiais constataram árvores cortadas para a montagem de uma campana improvisada, além de frutas e itens usados como isca.
A Polícia Civil investiga o caso.
Parque Estadual Serra Azul
Há cinco dias, o Parque Estadual da Serra Azul foi fechado após o incêndio atingir a região. Segundo a Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema), os bombeiros estão no local desde quando os focos de incêndio foram identificados para conter o avanço das chamas.
Incêndios
Nas últimas 24 horas, foram registrados 212 focos de calor, conforme última checagem às 17h, no Programa BDQueimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Deste total, 127 estão na Amazônia e 82 no Cerrado e três no Pantanal. Os dados são do Satélite de Referência (Aqua Tarde).
Além disso, os bombeiros atuam diretamente no combate a 34 incêndios florestais em diversas regiões do estado.
Os outros 13 focos de calor decorrentes do uso irregular do fogo estão sendo fiscalizados no âmbito da Operação Infravermelho, cujo monitoramento é realizado a partir da Sala de Situação Central, instalada no Batalhão de Emergências Ambientais (BEA), em Cuiabá.
Com apoio de imagens de satélite e outras tecnologias, a operação tem como objetivo identificar de forma antecipada áreas com risco de incêndio florestal ou onde o fogo já tenha sido iniciado de maneira ilegal, atuando tanto na prevenção quanto na responsabilização dos infratores.
Ação da PM e PJC apreende entorpecentes após queda de aeronave em região rural
Período proibitivo
Desde 1º de junho até 31 de dezembro está proibido o uso do fogo no Pantanal, segundo os bombeiros.
Nas regiões da Amazônia e do Cerrado, o período proibitivo teve início em 1º de julho e vai até 30 de novembro.
Já nas áreas urbanas, o uso do fogo é proibido durante todo o ano.
Uma ação de policiais militares do 5º Comando Regional, e de equipe da Polícia Judiciária Civil apreendeu, nesta terça-feira (9.8), grande quantidade de entorpecentes, após a queda de uma aeronave de pequeno porte, na região de Toriqueje, na zona rural do município de Barra do Garças (520 km de Cuiabá).
Foto: Reprodução
Testemunhas acionaram as equipes informando que um avião havia caído em uma propriedade e que o piloto teria fugido logo após o incidente. De imediato, equipes do Grupo de Apoio (GAP) do 2º Batalhão, deslocaram-se até o local, onde encontraram a aeronave danificada em uma área aberta. No interior do avião não havia carga aparente.
Durante buscas realizadas no entorno da mata, os policiais localizaram diversos fardos contendo substância análoga a entorpecente, além de galões de combustível, que provavelmente seriam utilizados pelos criminosos para abastecimento da aeronave.
Participaram da ação, equipes da 29ª CIPM – Força Tática, Núcleos de Polícia Militar de General Carneiro, Paredão e da Patrulha Rural. Todo material apreendido foi recolhido e encaminhado à delegacia, para devida pesagem e identificação dos entorpecentes, para registro do boletim de ocorrência.
Polícia Civil prende alvo principal de operação que investiga ações de faccionados em São José do Xingu
Disque-denúncia
A sociedade pode contribuir com as ações da Polícia Militar de qualquer cidade do Estado, sem precisar se identificar, por meio do 190 ou 0800.065.3939.
AGRÍCOLA FERRARI LTDA – CNPJ n°91.748.483/0004-05, torna público que requereu junto ao Consórcio Regional de Desenvolvimento Econômico Social e Ambiental do Médio Araguaia – CODEMA, a RENOVAÇÃO DA LICENÇA DE OPERAÇÃO, para a atividade de – “COMÉRCIO ATACADISTA DE DEFENSIVOS AGRÍCOLAS, ADUBOS FERTILIZANTES E CORRETIVOS DE SOLO COM DEPÓSITO NO LOCAL, na cidade de Canarana/MT – Projeta Engenharia (66) 98115-2132.
R M GUIMARÃES SERVIÇOS- ME., CNPJ n°08.758.699/0002-46, torna público que Requereu junto ao Consórcio Regional de Desenvolvimento Econômico Social e Ambiental do Médio Araguaia – CODEMA, a renovação de Licença de Operação, para a atividade de “Atividades de Clínica médica e odontológica (clínicas, consultórios e ambulatórios) ”. – Projeta Engenharia (66) 98115-2132.
Quando uma torneira abre em uma casa no município de Canarana – MT, a água que sai e é usada para limpeza e preparo dos alimentos, possui uma ligação intrínseca com o agronegócio local. Cada gota de água usada na cidade é possível graças a um trabalho que começa lá no campo, dentro das propriedades rurais.
Canarana, que está localizada no leste do Estado de Mato Grosso, tem vocação econômica para o agronegócio. Na safra 2024/2025, plantou 340 mil hectares de soja, 120 mil hectares de milho e 120 mil hectares de gergelim. Das centenas de produtores rurais no município, a maioria possui a propriedade transpassada por rios e córregos. Uma delas, por exemplo, é a fazenda Tanguro, do produtor Geraldo Antonio Delai.
E essa água, de onde vem?
A propriedade de Delai, a 40km da zona urbana de Canarana, possui 6.000 hectares, sendo 40% de vegetação nativa preservada, cortada por cinco córregos que deságuam no rio Tanguro, que dá nome à fazenda e que também serpenteia suas terras. Em sua fazenda estão cerca de 10% das nascentes mapeadas do rio Tanguro até o ponto de captação próximo da cidade, de onde sai a água que abastece quase metade da população de Canarana.
Produtor Geraldo Antonio Delai
O Produtor, atualmente com 65 anos, é presidente do Sindicato Rural de Água Boa – MT, município vizinho à Canarana, ecomprou a propriedade em 2003, com a agricultura ocupando 3.000 mil hectares. A pecuária também tem seu espaço. Muito boa de água, Delai preserva as nascentes e as matas ciliares, que beneficia 30 mil habitantes com água na torneira todos os dias.
A preservação de nascentes colocou a propriedade de Delai no Programa Guardião das Águas, da Aprosoja (Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso), que identifica, mapeia e conserva as nascentes de Mato Grosso, utilizando tecnologia de georreferenciamento. O projeto reforça o compromisso dos produtores rurais em aliar produtividade e sustentabilidade. Até o momento, já foram identificadas mais de 105.000 nascentes nos 56 municípios mapeados pelo projeto, sendo que 95% dessas nascentes estão conservadas e/ou moderadamente conservadas.
Nascente na Fazenda Tanguro
Além de preservar no mínimo 30 metros com mata ciliar em cada um dos lados dos cursos d’água, Geraldo cercou as nascentes para impedir a entrada do gado e o pisoteamento. Ele salienta, contudo, que pouco se divulga sobre isso. “O produtor é muito mal visto pela sociedade, né? {…} Acredito que é somente com a mídia mesmo que a gente consegue fazer essa desmistificação, trazendo a população urbana para o campo, demonstrando o que nós fazemos aqui, de que forma que a gente faz! {…} Muitos da cidade não sabem disso”, destaca Delai.
Afluente na Fazenda Tanguro
Semelhante a propriedade de Delai, existem muitas outras não só em Canarana, mas em todo o Mato Grosso produtivo. A preservação das nascentes e dos cursos d’água, é claro, também tem um custo. “Quem trabalha com pecuária precisa fazer cerca e isso tem um custo. Em alguns locais também precisamos replantar árvores. Outra coisa é cuidar das erosões para que essas águas continuem sendo limpas, cristalinas. Então, talvez a gente não consiga mensurar o custo de fato, mas é um ônus bastante grande”, complementa.
E essa água, para onde vai?
O rio Tanguro, um dos mais importantes da região, nasce na Terra Indígena Pimentel Barbosa, interior de Canarana. Até a estação de captação da água, próximo à cidade, são 373 km de curso d’água, contando o rio Tanguro e seus afluentes, além de 137 nascentes, conforme o Codema (Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Médio Araguaia), sendo 14 na fazenda de Delai. O Tanguro deságua no rio Xingu, já dentro da Terra Indígena do Xingu, beneficiando a população da cidade, sítios e aldeias indígenas ao redor de seu curso. Portanto, a preservação depende tanto dos produtores rurais, quanto dos indígenas.
Rio Tanguro e seus afluentes
Do rio Tanguro, conforme a Norte Saneamento, concessionária responsável pelo abastecimento de água em Canarana, são captados 2,5 milhões de litros de água por dia, cerca de 49% do total utilizado diariamente pela população do município. O restante da água que abastece a cidade é captada através de poços artesianos.
Uma das beneficiadas pelas águas do Tanguro é a diarista Mariza Freitas de Oliveira, de 36 anos, que escolheu para si e sua família o município como lar há cinco anos. Diariamente, na lavagem da louça, roupas e no banho, ou nos serviços que presta nas residências em que trabalha, utiliza a “água da rua”, como o fornecimento é conhecido.
Mariza Freitas de Oliveira
Em cinco anos na região, contudo, por simples desconhecimento, não sabia do papel do produtor rural na água que ela utiliza no dia-a-dia, realidade de boa parte da população urbana. Mas agora, informada dos dados, reconhece o trabalho e investimento do produtor rural para ter a água que ela utiliza. “Eu vejo que eles não pensam só pro lado deles, da soja plantar, colher, né? E por eles cuidar dessas minas de água, gera para a população inteira”, finaliza a diarista.
Rio Tanguro
E o futuro?
A população da cidade de Canarana está crescendo, principalmente com a chegada da indústria, em destaque uma usina de etanol de milho. E o rio Tanguro continuará sendo importante no fornecimento de água. O secretário de Desenvolvimento de Canarana, Ederson Porsch, disse que a Prefeitura tem planos para represar o rio na altura da captação, criando um reservatório que garantiria o abastecimento da cidade em períodos de seca e criando uma área de lazer para a população.
Mais de 27% de produção de soja em MT ficará no estado para esmagamento após alta na procura por biodiesel
“O rio Tanguro é muito importante para Canarana, mas qualquer coisa que a gente planeje só será possível se o rio tiver água. E só vai ter água se os proprietários preservarem as nascentes e as matas ciliares, trabalho que eles fazem com maestria. Eu diria que essa preservação garante o futuro da existência e do desenvolvimento de Canarana”, finaliza o secretário.
Por Rafael Govari e Lavousier Machry. Fotos: Rafael Govari.
QUERÊNCIA – A Polícia Militar apreendeu 480 carteiras de cigarro e deteve dois homens por suspeita de contrabando, além de uso ilícito de drogas.
A ocorrência foi registrada às 17h25 de 08/09/2025, na Rua F-18, Setor F, durante patrulhamento. A equipe abordou um veículo que trafegava na contramão.
Foto: Reprodução
Segundo o B.O., com o condutor V.R. foram encontrados R$ 162,00 e uma porção de substância análoga à maconha e com o passageiro J.V., outra porção semelhante. No banco traseiro, os policiais localizaram uma caixa com 480 carteiras de cigarro. O condutor assumiu a propriedade e disse que o material seria de origem paraguaia.
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A PM deu voz de prisão aos suspeitos, que foram levados à Central de Atendimento e, em seguida, apresentados à Delegacia de Polícia Civil. O material apreendido foi entregue na unidade policial. O veículo foi apreendido e encaminhado ao Detran, por licenciamento vencido desde 2023.