CANARANA – A apreensão de mais de 80 galos durante uma operação conjunta das polícias Civil e Militar, em Canarana, revelou mais do que a prática ilegal de Rinha de Galos. Segundo os investigadores, o que foi encontrado no local indica a existência de uma estrutura organizada voltada para criação, treinamento, recuperação e utilização dos animais em combates.

A ação ocorreu em uma chácara localizada às margens da MT-109, a cerca de cinco quilômetros do município, após denúncias sobre a realização de rinhas. Embora a operação tenha resultado na condução de 21 pessoas à Delegacia de Polícia Civil, um dos aspectos que mais chamou a atenção das equipes foi o material apreendido na propriedade.
De acordo com o delegado Diogo Jobane, foram encontrados medicamentos veterinários, hormônios, seringas, materiais de sutura e instrumentos utilizados para tratar os animais após os combates. Também foram apreendidas esporas artificiais e outros acessórios empregados nas disputas, itens que, segundo a investigação, reforçam a suspeita de uma atividade estruturada e recorrente.
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“As evidências mostram que havia toda uma estrutura montada para criação, treinamento, recuperação e utilização dos animais nas rinhas”, destacou o delegado durante entrevista.
Além dos materiais utilizados diretamente nos animais, os policiais recolheram camisetas personalizadas, bolsas, mochilas, anotações relacionadas aos eventos e dinheiro em espécie. O conjunto de objetos encontrados sugere um elevado nível de organização da atividade ilegal, que, segundo a Polícia Civil, pode estar ligada a eventos semelhantes realizados em outras cidades da região e até mesmo em estados vizinhos.
As investigações apontam que participantes vieram de municípios como Vila Rica, Campinápolis, Água Boa e Nova Nazaré. A polícia agora trabalha para identificar outros envolvidos e verificar se existe uma rede regional dedicada à promoção das rinhas.
Outro ponto que segue sob apuração é a movimentação financeira relacionada aos eventos. Os investigadores não descartam a existência de apostas e possíveis crimes associados ao fluxo de dinheiro. Informações preliminares indicam que um dos suspeitos que fugiram ao perceber a chegada das equipes estaria portando aproximadamente R$ 20 mil em espécie.
Os mais de 80 galos encontrados no local apresentavam sinais de maus-tratos e lesões compatíveis com participação em combates. Os animais permaneceram sob responsabilidade de um fiel depositário, enquanto os órgãos competentes discutem a destinação definitiva.
Para a Polícia Civil, a operação não apenas interrompeu uma prática considerada criminosa pela legislação brasileira, mas também expôs uma estrutura que vai além de encontros esporádicos, indicando um sistema organizado para manutenção e realização de rinhas na região do Vale do Araguaia.
Da Redação.
