CANARANA – Lideranças xavantes da Terra Indígena Pimentel Barbosa manifestaram insatisfação com a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), o Governo Federal e a Infra S.A., estatal responsável pelo projeto da Ferrovia de Integração Centro-Oeste (FICO), durante reunião realizada na terça-feira (16) na Aldeia Paraíso, em Canarana. Os indígenas reclamam da falta de apoio logístico para participação nas negociações e da demora no atendimento de reivindicações consideradas fundamentais para o avanço do acordo que poderá autorizar as obras do trecho ferroviário entre Cocalinho e Água Boa.

O encontro teve como pauta a apresentação dos primeiros resultados das negociações relacionadas ao componente indígena do licenciamento da FICO. A empresa MRS Ambiental, contratada para auxiliar na condução dos estudos e na construção do acordo, apresentou às lideranças um esboço das propostas discutidas em reuniões anteriores.
Caciques se manifestaram na abertura do encontro
O cacique Jurandir declarou que ainda não aconteceram as reuniões internas dos xavantes e criticou a falta de agilidade por parte do Governo para discutir o tema. Salientou também que os xavantes ainda precisam discutir detalhadamente o assunto para então firmar o acordo sobre o empreendimento.
Jurandir também declarou que no plano consta que as mulheres e os jovens xavantes também precisam ser ouvidos, mas estes nem tem condições de se reunirem por falta de apoio.
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O cacique Cipassé criticou o Governo Federal que até agora tem falhado com a comunidade Xavante e, por isso, as negociações não avançaram. Segundo ele, não veio nem ajuda para o deslocamento das lideranças ao local do encontro. Também afirmou que a liderança da FUNAI não está presente, deixando os indígenas órfãos nas negociações.
O cacique Supitó ressaltou que o Governo Federal não cumpriu seu papel com a Terra Indígena Pimentel Barbosa. Ele disse que estava inclinado a não mais participar das negociações. Todos disseram que são a favor da Ferrovia de Integração Centro Oeste e da BR-080, porém, exigem o atendimento de reivindicações em favor dos xavantes.
Já o cacique Zezinho Tsetetó também se manifestou descontente com o jogo de empurra-empurra feito pelo Governo Federal. Para ele, não foi demonstrado interesse por parte do empreendimento em negociar com os xavantes. “Nem combustível foi repassado para o deslocamento das lideranças até o local do encontro de hoje”, disse ele.
Algumas aldeias estão a mais de 100 quilômetros de distância e nem todos tem veículo para esse deslocamento. Luis Alberto pediu desculpas pela falha cometida. Ele afirmou que na próxima reunião, vai providenciar em transporte para as lideranças. O líder da MRS Ambiental também declarou que esse projeto de licenciamento foi um dos mais rápidos que já assistiu.
Wedezé (Remanso) e Tsoropré em debate
Já os caciques xavantes voltaram a reivindicar um território Wedezé da Remanso do Rio das Mortes, na tentativa de incluir essa situação no novo acordo. Outros caciques confidenciaram à reportagem que Tsoropré também precisa entrar nas negociações prevendo o asfaltamento da BR-080 em Ribeirão Cascalheira. Zezinho deixou claro que tudo se trata de negociar com os fazendeiros da região para chegar a um acordo.
Francisco Magalhães, o Chico da Funai, reconheceu que os xavantes reclamam de falta de atenção por parte do Governo em relação à construção da Ferrovia de Integração Centro Oeste.
Para ele, a FUNAI e a Infra estão mantendo diálogo com as comunidades. “A MSR Ambiental está presente para preparar as bases do acordo”, salientou ele.
Chico informou que a Defensoria Pública Federal e Ministério Público Federal deverão participar do próximo encontro em agosto, justamente para confirmar a liberação dos primeiros pontos já acertados com a população Xavante. Ele também confirmou que outras reuniões já aconteceram no sentido de ouvir a opinião da nação Xavante.
Novo encontro em agosto
Outra reunião será dia 11 de agosto em rodada dupla de negociação entre as partes. A reportagem da Rádio Interativa foi convidada pelos líderes xavantes a participar do encontro. O componente indígena é a última etapa para a autorização plena da Ferrovia de Integração Centro Oeste. Houve uma proposta para fazer a reunião dia 15 de agosto.
Por Inácio Roberto/Notícias Interativa.
