A Polícia Federal prendeu, nesta quinta-feira (29), em Água Boa, no Médio Araguaia, um policial civil do estado do Paraná suspeito de integrar uma organização criminosa especializada no contrabando de agrotóxicos na fronteira entre o Brasil e o Paraguai. A prisão no município mato-grossense é um dos principais desdobramentos da Operação Migalhas e foi acompanhada com exclusividade pela Rádio Liberdade FM.
Ao todo, foram cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e dez mandados de busca e apreensão nos estados do Paraná, São Paulo, Mato Grosso, Goiás e no Distrito Federal. As ordens judiciais também determinaram o bloqueio e o sequestro de bens e empresas, além da apreensão de patrimônios ligados aos investigados.
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Segundo a Polícia Federal, o grupo atuava na internalização ilegal de mercadorias e agrotóxicos, com indícios de facilitação por servidores públicos, incluindo dois servidores da Receita Federal lotados no Distrito Federal, cuja conduta também é apurada. A organização criminosa mantinha uma rede estruturada de motoristas e freteiros, responsáveis por transportar os produtos até diferentes regiões do país.
A investigação identificou ainda um núcleo especializado em lavagem de dinheiro, que utilizava empresas de fachada, simulação de negócios imobiliários, aquisição de veículos e investimentos nos setores de transporte e entretenimento para ocultar e dissimular a origem dos recursos ilícitos. As apurações foram subsidiadas por análises financeiras, patrimoniais e fiscais, que apontaram o uso de múltiplas empresas para dispersar os ganhos ilegais.
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Durante o cumprimento dos mandados, um dos investigados foi preso em flagrante por porte ilegal de arma de fogo, no Paraná. Também foram apreendidos veículos, joias e valores em espécie.
A prisão efetuada em Água Boa (MT) destaca a capilaridade do esquema e a atuação da organização criminosa fora da região de fronteira, evidenciando a logística empregada para a distribuição dos produtos contrabandeados.
A operação contou com o apoio da Receita Federal do Brasil e das Corregedorias das Polícias Civil e Militar do Paraná. As análises seguem em andamento para identificar outros envolvidos, aprofundar as circunstâncias dos crimes e recuperar ativos, com vistas à reparação dos danos e à reversão dos proveitos ilícitos ao Estado.
A Polícia Federal reforça que denúncias podem ser encaminhadas pelos canais oficiais, com garantia de anonimato.
Por Liberdade FM.