quarta-feira, 29 abril, 2026
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FUTILIDADE DO DIA – Como o Cup Noodles revolucionou a indústria alimentícia mundial

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É muito provável que você já tenha ouvido falar em Cup Noodles, a famosa marca de macarrão instantâneo consumido em um copo de plástico térmico fabricado pela gigante japonesa Nissin Foods.

(Fonte: Food Navigator Asia/Reprodução)

Produzido em seus mais variados sabores, que vão de bolonhesa à costela ao molho barbacue, o prato é caracterizado como um fast food por seu preparo rápido e prático. Ele também é considerado junk food pelo seu alto teor de carboidratos, sódio e gordura saturada, em contraste com níveis baixos de fibras, vitaminas e sais minerais. No entanto, o importante é que o lámen pode salvar qualquer pessoa em um momento de fome no meio da madrugada ou quando o estômago não está segurando nem água.

Segundo a Kyodo News, a Nissin Foods disse que vendeu um total de 50 bilhões de unidades de Cup Noodles em todo o mundo só em maio do ano passado, o equivalente a 10 bilhões a mais do que em 2016, antes do aniversário de 50 anos da empresa.

Como Koki Ando, atual presidente da Nissin Foods, deixou bem claro, o resultado da popularidade e do sucesso do produto se deu pelo apoio de consumidores pelo mundo graças à promoção agressiva, principalmente direcionada às gerações mais jovens, percorrendo um longo caminho desde o século passado até se tornar o produto mais bem-sucedido na história da exportação japonesa, por exemplo.

Uma ideia revolucionária

Momofuku Ando. (Fonte: Blockdit/Reprodução)

Hoje pode parecer extremamente comum comprar uma unidade de Cup Noodles ou ter algum estoque no armário da cozinha, mas em 1958, quando foi criado por Momofuku Ando, fundador da Nissin, o produto exalava cosmopolitismo no Japão. Isso porque a Segunda Guerra Mundial, que havia terminado há 13 anos, foi desastrosa para a sociedade japonesa, e consumir uma refeição para a viagem significava o apogeu do americanismo tão odiado pela nação.

Ando nasceu em uma Taiwan ocupada pelo Japão em 1933 e, quando se mudou para um Japão destroçado pela guerra, viu pessoas fazerem fila para comprar tigelas de macarrão barato em barracas nos mercados clandestinos — visto que o alimento era feito com a farinha de trigo doada pelos Estados Unidos para fazer pão — um produto menos comum na dieta japonesa.

(Fonte: The Asian Magazine/Reprodução)

Querendo fazer um macarrão que as pessoas pudessem comer de maneira fácil, Ando deu início ao que seria uma das maiores empresas do Japão em um galpão no quintal de sua casa.

Ao perceber que o macarrão frito e seco podia ser hidratado quando fervido e temperado com sachês em pó, o primeiro sabor de lámen que o homem inventou foi o de frango, porque parecia rico, nutritivo e americano. Era um apelo, afinal.

O Chikin Ramen, como Ando o nomeou, ganhou notoriedade no Japão pós-guerra após muitos eventos de degustação para que o povo comprasse sua ideia, cujo preço era seis vezes mais caro do que o de uma tigela de macarrão fresco.

Uma sensação global

(Fonte: Wikipedia/Reprodução)

Em 1960, Ando passou a considerar o mercado americano quando houve uma diminuição das vendas devido à saturação do mercado japonês. Naquela época, os Estados Unidos exaltavam o exotismo da comida japonesa, que ia contra o paladar saturado dos cidadãos americanos em geral. E, como eles estavam fascinados pela carne e pelos vegetais cozidos em panelas quentes, Ando apostava que seu macarrão instantâneo teria o mesmo efeito.

Ele percebeu que só faria seu produto acontecer no país se encontrasse uma maneira similar ao consumo de macarrão que viu pelas ruas dos Estados Unidos — as pessoas quebravam os pacotes, colocavam os pedaços do produto em copos e derramavam água quente, em vez de preparar em uma panela e servir em uma tigela.

Após várias tentativas, a equipe de Ando conseguiu concentrar o macarrão em uma embalagem em forma de copo de espuma de plástico em que os consumidores poderiam comer ali mesmo. O Cup Noodles incluía a mesma quantidade de ramen que os pacotes secos vendidos no Japão, porém quatro vezes mais caro por conta do preço da fabricação — e isso o fez parecer um produto luxuoso e seleto.

(Fonte: Pinterest/Reprodução)

Em novembro de 1973, o produto entrou no mercado americano em uma época em que os produtos japoneses eram projetados para serem diferentes dos fabricados na América, ou seja, mais fáceis de entender, pronunciar e aceitar pelos nativos. Por isso o Chikin Ramen foi substituído para Cup O’Noodles e, mais tarde, renomeado para Cup Noodles.

A força do produto ficou estampada nos 10 anos que o anúncio neon de 18 metros ficou na Times Square, em Nova York, representando o ápice do quanto crescer na América era a chave para o sucesso dos negócios.

Atualmente, o Cup Noodles representa uma mistura de tendência e nostalgia no Japão, uma referência de prosperidade da potência no pós-guerra, sendo fabricado em 80 países.

Fonte: MegaCurioso.

Governador: “Com a aprovação da AL, vamos sancionar ainda hoje e ter o congelamento do IPVA”

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CUIABÁ – O governador Mauro Mendes afirmou que irá sancionar ainda hoje a medida que deve “congelar” o valor do Imposto sobre Propriedades de Veículos Automotores (IPVA) em 2022.

O governador Mauro Mendes – Foto por: Mayke Toscano/Secom-MT

A declaração foi dada na manhã desta terça-feira (11.01), durante entrevista à rádio CBN Cuiabá.

Para que haja a sanção, ainda é necessário que a Assembleia Legislativa aprove o decreto de calamidade pública enviado pelo governador, em votação que deve ocorrer nas próximas horas.

“O que o decreto traz é uma condição objetiva para não ter o aumento do IPVA, que manda reajustar de acordo com a tabela FIPE. A pandemia desestabilizou os preços do setor de automóveis no mundo todo: o preço do carro novo subiu muito, e em consequência o do usado também. E o IPVA é baseado no preço dessa tabela, que está tendo aumentos de 20%, 30%, 40%”, relatou.

Mauro Mendes explicou que o decreto foi enviado para evitar que esse aumento no valor dos automóveis ocasione a elevação dos valores a serem pagos no IPVA de 2022, o que afetaria negativamente o orçamento de milhares de famílias em Mato Grosso.

“Não é justo que seja cobrado o IPVA com base nessa tabela FIPE, tendo em vista o grande aumento que tem ocorrido. Até o final do dia vamos sancionar e ter o congelamento do IPVA, com o mesmo valor de 2021 para vigorar esse ano. É uma medida necessária para ter essa legalidade”, afirmou.

O decreto considera os aumentos nos preços dos veículos usados, causados pela pandemia da Covid-19, que chegaram a ter valorização de até 50%, e autoriza a adoção de medidas necessárias para o enfrentamento da calamidade pública, “garantindo o menor impacto possível sobre o contribuinte”.

Por Lucas Rodrigues | Secom-MT.

Acesso de Gaúcha do Norte a Canarana está comprometido no Rio Culuene

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GAÚCHA DO NORTE – O acesso entre Gaúcha do Norte e Canarana pela MT-427 segue comprometido, o trânsito segue arriscado logo depois da ponte de concreto do Rio Culuene, em Canarana.

Foto: Reprodução

A grande quantidade de chuvas que cai na região elevou o nível de água do rio que segue paralelo a estrada e está invadindo a via. O pátio da Pousada Piraíba que fica localizada à esquerda de quem segue de Gaúcha do Norte à Canarana já está invadido pela água.

Imagens que circulam nos grupos de whatsapp mostram a água tomando conta de trechos da estrada e informações são de que o aterro da ponte começou a ceder.

Alguns motoristas de carros altos e caminhões ainda arriscam passar, mas a recomendação é de não fazer a travessia que está perigosa.

O ônibus de passageiros que faz a linha Gaúcha do Norte a Canarana não passou nesta terça-feira (11).

Nesta terça, o prefeito de Gaúcha do Norte, Voney Rodrigues Goulart, viaja a Cuiabá com a possibilidade de decretar situação de calamidade pública.

OUTROS ACESSOS

Em Gaúcha do Norte outros acessos seguem comprometidos. Em estradas vicinais uma ponte de madeira de mais de 60 metros sobre o Rio Kurisevo e que dá acesso a fazendas como 4 A, e outras foi destruída pelas enchentes do rio.

Aterros de outras pontes e bueiros também foram prejudicados e seguem sendo recuperados pela Secretaria de Obras e Infraestrutura.

Por GaúchaNews.

Prefeitura de Gaúcha do Norte deve decretar situação de calamidade pública

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GAÚCHA DO NORTE – Nesta semana, o prefeito de Gaúcha do Norte Voney Rodrigues Goulart, assim como o prefeito de Paranatinga, Marquinhos do Dedé, viajam a Cuiabá com a possibilidade de decretar situação de calamidade pública devido a intensidade de chuvas que tem prejudicado estradas e pontes nos municípios.

Foto: Reprodução

Em Gaúcha do Norte as fortes chuvas que vêm atingindo a cidade nos últimos dias tem bloqueado acessos, destruído ponte, aterros e provocado pontos de atoleiros. As dificuldades na trafegabilidade estão concentradas em várias estradas municipais, estaduais como as MT’s 129 e 427 e a rodovia federal BR-242.

“Vamos estar junto ao governo, vamos ver o que é possível e acionar a Defesa Civil buscando condições para recuperar os acessos e restaurar o trânsito em todas as estradas prejudicadas pelas chuvas”, disse o prefeito Voney.

A Secretaria de Obras segue atuando nos pontos prejudicados e a atuação da pasta segue em todos os dias da semana, inclusive aos sábados e domingos, nesse período crítico.

Prefeitos estiveram reunidos na manhã desta segunda-feira (10) em Gaúcha do Norte.

 

Fonte: Assessoria Prefeitura

Prefeitura de Gaúcha do Norte deve decretar situação de calamidade pública

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GAÚCHA DO NORTE – Nesta semana, o prefeito de Gaúcha do Norte Voney Rodrigues Goulart, assim como o prefeito de Paranatinga, Marquinhos do Dedé, viajam a Cuiabá com a possibilidade de decretar situação de calamidade pública devido a intensidade de chuvas que tem prejudicado estradas e pontes nos municípios.

Foto: Reprodução

Em Gaúcha do Norte as fortes chuvas que vêm atingindo a cidade nos últimos dias tem bloqueado acessos, destruído ponte, aterros e provocado pontos de atoleiros. As dificuldades na trafegabilidade estão concentradas em várias estradas municipais, estaduais como as MT’s 129 e 427 e a rodovia federal BR-242.

“Vamos estar junto ao governo, vamos ver o que é possível e acionar a Defesa Civil buscando condições para recuperar os acessos e restaurar o trânsito em todas as estradas prejudicadas pelas chuvas”, disse o prefeito Voney.

A Secretaria de Obras segue atuando nos pontos prejudicados e a atuação da pasta segue em todos os dias da semana, inclusive aos sábados e domingos, nesse período crítico.

Prefeitos estiveram reunidos na manhã desta segunda-feira (10) em Gaúcha do Norte.

 

Fonte: Assessoria Prefeitura

Prefeitura de Gaúcha do Norte deve decretar situação de calamidade pública

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GAÚCHA DO NORTE – Nesta semana, o prefeito de Gaúcha do Norte Voney Rodrigues Goulart, assim como o prefeito de Paranatinga, Marquinhos do Dedé, viajam a Cuiabá com a possibilidade de decretar situação de calamidade pública devido a intensidade de chuvas que tem prejudicado estradas e pontes nos municípios.

Foto: Reprodução

Em Gaúcha do Norte as fortes chuvas que vêm atingindo a cidade nos últimos dias tem bloqueado acessos, destruído ponte, aterros e provocado pontos de atoleiros. As dificuldades na trafegabilidade estão concentradas em várias estradas municipais, estaduais como as MT’s 129 e 427 e a rodovia federal BR-242.

“Vamos estar junto ao governo, vamos ver o que é possível e acionar a Defesa Civil buscando condições para recuperar os acessos e restaurar o trânsito em todas as estradas prejudicadas pelas chuvas”, disse o prefeito Voney.

A Secretaria de Obras segue atuando nos pontos prejudicados e a atuação da pasta segue em todos os dias da semana, inclusive aos sábados e domingos, nesse período crítico.

Prefeitos estiveram reunidos na manhã desta segunda-feira (10) em Gaúcha do Norte.

 

Fonte: Assessoria Prefeitura

É fakenews informação de que barragem da PCH Paranatinga, no rio Culuene, corre o risco de se romper

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CAMPINÁPOLIS – Informações divulgadas em grupos de WhatsApp de Canarana, Campinápolis, Gaúcha do Norte e Paranatinga, diziam que a barragem da PCH Paranatinga II, localizada no rio Culuene, município de Campinápolis, corria o risco de se romper a qualquer momento, devido às fortes chuvas que caem na região há vários dias.

PCH Paranatinga II; Imagem – Abragel.

Ainda conforme os áudios, todos aqueles que ficam à baixo da represa a uma distância de até 100 km, deveriam ser evacuados imediatamente. Um homem que se dizia funcionário de uma fazenda, informava que a propriedade onde ele trabalhava já tinha sido evacuada e todos se encontravam na cidade de Campinápolis.

LEIA MAIS – OPioneiro entrevistou comandante que pilotou avião da Praça de Canarana

OPioneiro entrou em contato com um funcionário da PCH, que nos informou se tratar de fakenews. Ele disse que a represa está em perfeitas condições e não há risco de rompimento. Informou ainda que o nível da água está 30% mais baixo do que o ano de 2014, quando se alcançou o maior nível histórico. Ele tranquilizou todos os moradores quanto aos boatos.

Por OPioneiro.

Homicídio no interior de Canarana nesta segunda (10)

CANARANA – A Policial Judiciária Civil de Canarana – MT prendeu na tarde desta segunda-feira (10.01) o autor de um homicídio que aconteceu por volta do meio dia em uma fazenda a cerca de 22km da zona urbana da cidade.

Conforme o Delegado Deuel Paixão de Santana, um funcionário da fazenda veio até a cidade contratar trabalhadores para fazer um serviço de catação de pedras e raízes. Ele levou alguns homens até a fazenda e retornou à cidade para buscar mais trabalhadores.

Nesse intervalo, dois deles se desentenderam, sendo que um deles matou seu colega à pauladas. O autor do homicídio já tem passagem pela policia, também por homicídio na cidade de Querência – MT.

Ainda conforme o Delegado, tanto o autor quanto a vítima eram moradores de rua. O suspeito se encontra preso na Delegacia de Policia à disposição da Justiça. Os nomes da vítima e do suspeito não foram divulgados.

Por OPioneiro.

FUTILIDADE DO DIA – Dia do Fico

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“Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, estou pronto! Digam ao povo que fico.” Ao contrário do imaginário popular, muito provavelmente essa frase não foi dita pelo então príncipe regente Pedro 1º (1798-1834) no episódio conhecido como Dia do Fico. Segundo historiadores, trata-se de mais uma camada das construções da ideia de nação brasileira, na esteira da posterior Independência do Brasil.

O Paço Imperial foi palco de grandes acontecimentos, como o Dia do Fico, em 9 de janeiro de 1822, a coroação de D. João VI, em 1818, e a chegada de D. Leopoldina para o casamento com D. Pedro, em 1817. — Foto: G1/Alexandre Durão

Mas é inegável que o tal dia, ocorrido há exatos 200 anos, em 9 de janeiro de 1822, na Câmara do Rio, foi a materialização da queda-de-braço entre o Reino de Portugal e a colônia brasileira. E aí reside sua importância histórica.

“[Na época, o ato de permanecer no Brasil] foi visto como astuto, audacioso e, principalmente, arriscado. Tratava-se de contraposição às determinações do poder de representação das Cortes de Lisboa”, explica o historiador Paulo Henrique Martinez, da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

“Em Portugal, o gesto foi recebido pelos defensores de uma Constituição como ato de arrogância e de rebeldia, mas foi visto com alento pela Casa Real. Aqui no Brasil, foi festejado como decisão democrática e de expressão soberana da vontade do povo, em defesa de interesses ‘brasileiros’.”

Segundo o historiador Marcelo Cheche Galves, da Universidade Estadual do Maranhão (Uema), o Fico integra “um conjunto de animosidades dentro do mundo português”, num momento em que a corte buscava o “esvaziamento do poder do Rio de Janeiro como centro de autoridade” — depois que a família real decidiu regressar ao Velho Mundo, em 1821.

“Pedro ficou como regente e, a partir de então, passou a lidar com determinações das Cortes, como fechamento de instituições que funcionavam no Rio de Janeiro”, explica Galves. “Esse é o ponto, não tem nada de independência ainda.”

O estopim foi um decreto real emitido em outubro, que, entre outras questões, obrigava o retorno imediato do príncipe regente a Portugal — nomeando uma junta para governar o Brasil.

Imaginário da construção nacional

 

De acordo com Galves, a narrativa que passou a situar o episódio como um antecedente do processo de emancipação política do Brasil foi construído “ao longo do século 19 e em parte do século 20” em um esforço intencional de “inventar a nação brasileira”. “Por isso o Dia do Fico ficou como algo heroico, o dia em que o Brasil começou a se livrar de Portugal”, afirma.

“Se era independência, era no sentido de mais autonomia. Não no sentido de separação total [de Portugal]”, contextualiza o professor da Uema.

Martinez concorda: não podemos considerar o Dia do Fico uma espécie de pontapé da Independência, “sob o risco de repetir acriticamente a construção política e ideológica da historiografia da unidade política nacional, tendo o Império e a Casa de Bragança como seus promotores e avalistas”.

FUTILIDADE DO DIA – Dia do Fico

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“Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, estou pronto! Digam ao povo que fico.” Ao contrário do imaginário popular, muito provavelmente essa frase não foi dita pelo então príncipe regente Pedro 1º (1798-1834) no episódio conhecido como Dia do Fico. Segundo historiadores, trata-se de mais uma camada das construções da ideia de nação brasileira, na esteira da posterior Independência do Brasil.

O Paço Imperial foi palco de grandes acontecimentos, como o Dia do Fico, em 9 de janeiro de 1822, a coroação de D. João VI, em 1818, e a chegada de D. Leopoldina para o casamento com D. Pedro, em 1817. — Foto: G1/Alexandre Durão

Mas é inegável que o tal dia, ocorrido há exatos 200 anos, em 9 de janeiro de 1822, na Câmara do Rio, foi a materialização da queda-de-braço entre o Reino de Portugal e a colônia brasileira. E aí reside sua importância histórica.

“[Na época, o ato de permanecer no Brasil] foi visto como astuto, audacioso e, principalmente, arriscado. Tratava-se de contraposição às determinações do poder de representação das Cortes de Lisboa”, explica o historiador Paulo Henrique Martinez, da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

“Em Portugal, o gesto foi recebido pelos defensores de uma Constituição como ato de arrogância e de rebeldia, mas foi visto com alento pela Casa Real. Aqui no Brasil, foi festejado como decisão democrática e de expressão soberana da vontade do povo, em defesa de interesses ‘brasileiros’.”

Segundo o historiador Marcelo Cheche Galves, da Universidade Estadual do Maranhão (Uema), o Fico integra “um conjunto de animosidades dentro do mundo português”, num momento em que a corte buscava o “esvaziamento do poder do Rio de Janeiro como centro de autoridade” — depois que a família real decidiu regressar ao Velho Mundo, em 1821.

“Pedro ficou como regente e, a partir de então, passou a lidar com determinações das Cortes, como fechamento de instituições que funcionavam no Rio de Janeiro”, explica Galves. “Esse é o ponto, não tem nada de independência ainda.”

O estopim foi um decreto real emitido em outubro, que, entre outras questões, obrigava o retorno imediato do príncipe regente a Portugal — nomeando uma junta para governar o Brasil.

Imaginário da construção nacional

 

De acordo com Galves, a narrativa que passou a situar o episódio como um antecedente do processo de emancipação política do Brasil foi construído “ao longo do século 19 e em parte do século 20” em um esforço intencional de “inventar a nação brasileira”. “Por isso o Dia do Fico ficou como algo heroico, o dia em que o Brasil começou a se livrar de Portugal”, afirma.

“Se era independência, era no sentido de mais autonomia. Não no sentido de separação total [de Portugal]”, contextualiza o professor da Uema.

Martinez concorda: não podemos considerar o Dia do Fico uma espécie de pontapé da Independência, “sob o risco de repetir acriticamente a construção política e ideológica da historiografia da unidade política nacional, tendo o Império e a Casa de Bragança como seus promotores e avalistas”.