A relação do brasileiro com a comida do dia a dia ajuda a explicar mudanças profundas no modo de vida e nos hábitos alimentares do país. Segundo Sergio Cardoso, diretor de operações na Itaobi Representações, arroz e feijão sempre foram mais do que alimentos básicos, funcionando como um símbolo cultural presente na mesa e na identidade nacional.
Na década de 1980, quando uma canção popularizou a ideia de que duas pessoas podiam se completar como arroz e feijão, o consumo anual de arroz no Brasil girava em torno de 45 quilos por habitante. Atualmente, esse volume caiu para cerca de 30 quilos per capita, evidenciando uma transformação no padrão alimentar da população. A mudança não está ligada ao produto em si, mas ao espaço que ele passou a ocupar nas refeições.
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Com o passar do tempo, preparações tradicionais foram sendo substituídas por alimentos prontos e ultraprocessados, associados à praticidade e à rapidez. Esse movimento alterou a composição da mesa brasileira e reduziu a presença de pratos simples, carregados de história e tradição. O arroz com feijão, antes elemento central das refeições, passou a dividir espaço com opções industrializadas que oferecem conveniência, mas pouca ligação cultural.
Mais do que uma combinação frequente, arroz e feijão representam base alimentar e equilíbrio nutricional, além de carregarem um valor simbólico construído ao longo de gerações. A redução do consumo reflete não apenas uma mudança de gosto, mas também uma alteração no ritmo de vida e na relação das famílias com a comida.
Esse cenário convida a uma reflexão sobre o significado de progresso nos hábitos alimentares. Ao olhar para o passado, como fez a música lançada nos anos 1980, surge a percepção de que nem toda mudança representa avanço, especialmente quando implica o afastamento de referências que ajudaram a moldar a identidade alimentar brasileira.
Por Agrolink.