PORTO ALEGRE DO NORTE – A situação precária da BR-158, no Norte Araguaia, motivou uma mobilização que une tradição cultural e cobrança por infraestrutura. Os prefeitos Adelcino Lopo (MDB), de Pontal do Araguaia, e Danilo Coelho (PSB), de Ribeirãozinho, lideram o Desafio dos Carros de Boi, uma travessia simbólica por um dos trechos ainda não pavimentados da rodovia, que permanece esquecida pelo Governo Federal.

A comitiva, formada pelo grupo Carreiros do Araguaia, iniciou o percurso no domingo (8) e segue até sexta-feira (13), percorrendo cerca de 140 quilômetros da BR-158, no Norte Araguaia. O objetivo é chamar a atenção das autoridades e da sociedade para as dificuldades enfrentadas pela população e pelo setor produtivo devido à ausência de pavimentação.
Durante a mobilização, o prefeito de Pontal do Araguaia, Adelcino Lopo, destacou que a iniciativa chegou a ser desacreditada por parte da população, mas reforçou o caráter coletivo do protesto.
“Essa manifestação de carro de boi, que é como uma cavalgada, muitos disseram que era loucura. Teve gente que falou pra nós: ‘vocês estão brigando por coisa que não é de vocês, estão no Sul do Araguaia e brigando pelo Norte’. Mas nós somos mato-grossenses e queremos o bem comum de todos”, afirmou.
O Desafio dos Carreiros prossegue ao longo da semana pelo Norte Araguaia. Na segunda-feira (9), a comitiva chegou a São Félix do Araguaia, com almoço previsto no tradicional Copo Sujo. Na terça-feira (10), o percurso continuou com pouso no antigo Posto da Mata, também em São Félix. Já na quarta-feira (11), os participantes seguem até Alto Boa Vista, com pouso na região da Baixada do Bambu. Na quinta-feira (12), a mobilização chega à Ponte de Madeira, em Alto Boa Vista, onde ocorre novo pouso antes da etapa final do trajeto.
Em vídeos gravados durante a travessia, um dos carreiros expõe a situação crítica da BR-158, marcada por buracos, lama e longas filas de carretas que avançam a passos lentos.
“Carreta gasta 10 horas em 120 quilômetros de uma BR. Tem mais de 100 mil pessoas para trás aqui. É inacreditável, mas é verdade”, relata. Segundo ele, mesmo em dias de sol, o tráfego é extremamente lento, e em períodos de chuva a situação se agrava, com veículos atolados e o trânsito praticamente interrompido.
“Aqui é de cinco por hora pra menos. É buraco o tempo todo, a rodovia inteira assim. Quando chove, a gente encontra carreta atolada, não tem jeito”, afirma.
Segundo os organizadores, a mobilização também busca mostrar ao país o atraso histórico na pavimentação da BR-158. Em fala registrada durante o trajeto, um dos participantes afirma que o trecho poderia ter sido asfaltado há décadas.
“É pra mostrar para o Brasil o atraso que ficou a BR-158 nesses últimos 50 anos. Já poderia ter feito o asfalto há muito tempo. Não importa o que ficou no passado, o que importa é fazer agora. É isso que a população quer: faz o asfalto, são 140 quilômetros, destrava o progresso daquela região. Quem vai agradecer isso é o Brasil”, declarou.
A expectativa dos prefeitos e dos participantes é que a mobilização amplifique a pressão sobre as autoridades federais e resulte na pavimentação definitiva do trecho, considerado estratégico para a integração regional e o desenvolvimento econômico do Norte Araguaia.
Por Maiara Max | Estadão Mato Grosso.
