CUIABÁ – O artista japonês Masanobu Kazurayama morreu na terça-feira (17), em Cuiabá, aos 86 anos. Ele sobreviveu ao ataque da bomba atômica em Nagasaki e depois veio para o Brasil, em 1961, onde construiu um legado no mundo da arte.

As obras de Kazurayama são reconhecidas internacionalmente. Na capital cuiabana, ele se tornou presença constante no Museu do Morro da Caixa d’Água Velha.
Todo ano ele participava das exposições com pinturas que retratavam paisagens do Japão, do Canadá e do Pantanal Mato-grossense, além de valorizar e dar visibilidade às obras dos seus alunos.
A prefeitura de Cuiabá lamentou, em nota, a perda do artista para a cultura local. “Seu talento, sensibilidade e compromisso com a arte permanecerão vivos na memória da cidade e nas obras que eternizou”, diz trecho da nota.
Ele também foi mestre do curso de pintura do Museu de Arte e de Cultura Popular da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), e formou diversas turmas e inspirou gerações de artistas com sua técnica refinada e dedicação ao ensino da arte oriental.
Sobrevivente de Nagasaki
Em 2017, Kazurayama contou ao g1 como sobreviveu ao ataque da bomba atômica em Nagasaki durante a Segunda Guerra Mundial. Naquela época, ele disse que morava na província de Kumamoto com a família.
Apesar da proximidade com o local atingido pela bomba atômica, a cidade ficou fora do raio de destruição e radiação da explosão. A provincía fica a 30 km de Nagasaki, como se fosse a distância de Cuiabá a Santo Antônio do Leverger.
No dia 6 de agosto de 1945, uma bomba atômica de urânio foi lançada pelos Estados Unidos sobre a cidade de Hiroshima. Três dias depois, uma bomba nuclear de plutônio foi lançada sobre a cidade de Nagasaki. Cerca de 80 mil pessoas morreram nesse ataque, sendo metade no primeiro dia. O envenenamento radiativo fez com que os outros 40 mil morressem com o passar dos dias.
No dia 15 de agosto de 1945 o Japão anunciou sua rendição. Um acordo, assinado no dia 2 de setembro, colocou fim ao conflito mundial. Cinco anos depois, quando estudava em uma escola japonesa, o artista plástico foi a Nagasaki em uma excursão, e o que viu marcou para sempre a sua trajetória artística.
Por g1 MT.
